Editoria
Tornar-se monge é tão antigo quanto a tradição budista.
Entre os primeiros seguidores de Buda estavam aqueles que deixaram seus lares e fizeram os votos e vestiram as vestes monásticas, um papel central na maioria das vertentes da tradição budista. No sul e sudeste da Ásia (Tailândia e Miyanmar), por exemplo, os leigos cozinham para os monges e fazem oferendas de comida, os sustentam com presentes como vestes e artigos de higiene pessoal, e recebem satisfação e mérito religioso por esse apoio. Há muitos mosteiros que aceitam estrangeiros, para estudarem e aprenderem a ser monásticos. A idade aceita varia de um mosteiro para outro, em geral não mais que 45 anos de idade, e alguma vivência no Budismo, é neceessária.
Geralmente, existem dois níveis de ordenação. Um samanera é um monge noviço. Na tradição Theravada, um homem pode se tornar noviço como o primeiro passo para se tornar um monge pleno ou bhikkhu, ou pode se tornar um monge noviço por um curto período com a intenção específica de acumular mérito religioso. Após a morte de um ente querido, por exemplo, um homem pode assumir votos monásticos temporários. Na Tailândia em geral, antes do casamento os homens passam de três a seis meses num mosteiro, para aprender um pouco, e depois voltam ás suas vidas comuns de leigos, mas com profunda fé e simpatia pela tradição Budista.
Em alguns países Theravada, também é comum que um menino se torne monge por um curto período como uma espécie de “passagem” para a vida adulta. Servir como monge noviço é entendido como uma forma de acumular méritos para os pais e expressar gratidão pelos cuidados recebidos. Em alguns contextos do Sudeste Asiático, também representava a principal via de acesso à educação.
Nos Estados Unidos, as ordenações temporárias são comuns, especialmente nas comunidades cambojana e tailandesa. Em Minneapolis, crianças de oito e nove anos podem se tornar monges temporários de verão para aprender o básico de sua tradição. Em Lynn, Massachusetts, um jovem expressa sua seriedade em relação à tradição budista e à cultura cambojana ao assumir os votos monásticos de noviço.
Em Long Beach ou North Hollywood, na Califórnia, adolescentes podem fazer votos monásticos durante o verão, morar no templo e receber treinamento com os anciãos da tradição. A ordenação completa como monge (bhikkhu) ou monja (bhikkuni) ocorre após o estágio de noviço. A linhagem de mulheres monásticas desapareceu há muito tempo nas tradições Theravada do Sul da Ásia, mas foi preservada em algumas tradições Mahayana do Leste Asiático. Na Austrália há um mosteiro da tradição Theravada, que é formado apenas por monjas (bhikkhunis).
Em Taiwan, em particular, a ordenação de mulheres a ordens monásticas ainda é bastante comum. A tradição da Terra Pura do Budismo Fo Guang, por exemplo, tem muitas mulheres ordenadas como monjas. Para aqueles interessados em uma vocação monástica, os votos finais de ordenação vitalícia como monge ou monja seguem os dois primeiros estágios. Essa cerimônia completa, chamada de Ordenação da Tríplice Plataforma, foi realizada no Templo Hsi Lai em Hacienda Heights, Califórnia.
É importante notar, no entanto, que embora o monasticismo seja central para a maioria das formas de Budismo, não é central para todas: a tradição Jodo Shinshu no Japão rejeitou o monasticismo. Seus ministros, tanto no Japão quanto nos Estados Unidos, são casados e chefes de família. E desde o século XIX, monges e sacerdotes Zen japoneses também se casam. Embora os estágios de treinamento para se tornar um mestre Zen (roshi) envolvam períodos intensivos de prática monástica rigorosa, mesmo os roshis podem ter cônjuges e famílias. Na tradição Theravada, os monges são celibatários e não se aposentam. Caso devolvam o manto de monge, ele pode ainda retornar DUAS VEZES, para ser monástico.

