Sutta Pitaka
Sobre a Prática da Concentração nas Quatro Posturas
A concentração deve ser praticada de forma sistemática e ordenada. O Buda, portanto, estabeleceu um padrão civilizado e flexível de quatro posturas, em consonância com o que ele próprio praticava: meditação sentada, meditação em pé, meditação caminhando e meditação deitado.
Ao praticar a concentração em qualquer uma dessas quatro posturas, diz-se que você desenvolve habilidade por meio da meditação. A palavra em Pali para meditação — bhāvanā — significa literalmente desenvolver o que é bom e valioso dentro do coração.
A meditação é um dever para todos os budistas, leigos e ordenados. A habilidade que surge da meditação é posse exclusiva daqueles que a praticam. Aqueles de nós que acreditam na doutrina, em sua prática e nas conquistas resultantes, devem, portanto, praticar de acordo.
Postura sentada:
Aqui, revisaremos o método básico mais uma vez: Comece formulando a intenção de observar perfeitamente os cinco, oito, dez ou 227 preceitos, de acordo com sua posição e habilidades. ^1
Assim que perceber que suas virtudes são puras, sente-se na posição de meio lótus com a perna direita sobre a esquerda.
Mantenha as mãos palma com palma em frente ao coração e invoque as virtudes do Buda, do Dhamma e da Sangha como seu refúgio. Repita a fórmula para as quatro atitudes sublimes, então:
Buddho me nātho,
Dhammo me nātho,
Saṅgho me nātho,
então Buddho buddho, dhammo dhammo, saṅgho saṅgho.
Abaixe as mãos para o colo e repita silenciosamente uma única palavra — buddho — em conjunto com sua inspiração e expiração, como a preocupação de sua mente. Limite sua atenção ao corpo. Não preste atenção a nada externo.
Concentre-se nas propriedades físicas presentes no corpo — as propriedades da terra, da água, do vento e do fogo — e então deixe de lado esses aspectos, trazendo sua atenção para a respiração, coordenando o buddho com seus movimentos de inspiração e expiração. Torne-se plenamente consciente. Somente se você não deixar sua atenção vagar, estará fazendo jus à palavra “buddho”, pois “buddho” significa aquele que está desperto, atento e alerta.
Postura em pé:
Medite da mesma forma que acima, simplesmente mudando a postura.
Fique em pé de maneira composta e serena, mantendo o corpo ereto e a mente firmemente atenta ao que está fazendo.
Coloque as mãos à sua frente, com a mão direita cobrindo a esquerda.
Você pode manter os olhos fechados ou abertos, como preferir. Concentre sua mente no buddho, mantendo sua atenção restrita ao corpo e à sua percepção imediata até que sua mente esteja firmemente estabelecida.
Postura ao Caminhar:
A meditação caminhando, chamada caṅkama, é feita da seguinte maneira:
Escolha um caminho tão longo, curto, largo ou estreito quanto desejar, mantendo-o plano e uniforme, sem subidas ou descidas, para não interferir na sua caminhada. Você pode caminhar rápido ou devagar, dando passos curtos ou longos, o que for mais confortável. Uma distância de 8 a 10 metros está suficiente.
Mantenha a cabeça ereta, pouco inclinada a frente, em uns 45 graus, que não seja baixa nem inclinada para trás, e mantenha o olhar fixo no caminho à sua frente.
Coloque as mãos à sua frente, como na postura em pé, e medite da mesma forma que nas posturas já mencionadas anteriormente.
Comece a perceber o levantar dos pés e o tocar ao solo, este será o objeto (kasina) de sua meditação.
Postura estando Deitado:
Deite-se sobre o lado direito, com a mão direita apoiando a cabeça e o braço esquerdo estendido ao longo do corpo, até a cintura (quadril).
Não se encolha, não deite de bruços nem de costas: deite-se sobre o lado direito. Esta é a postura de uma pessoa nobre, corajosa, vitoriosa e virtuosa; não a postura de uma pessoa miserável em desespero.
Uma vez na posição, mantenha sua mente na repetição da sua palavra de meditação (BU- DHO), como nas outras posturas. Essa postura nã é muito recomendada, pois o praticante pode ser induzido pela posição a cair no sono. Mais recomendada para pessoas que estão enfermas.
Coms estas recomendações, vamos praticar.!!!

