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Propósito e o alcance dos Ensinamentos

Posted on 27/04/202627/04/2026 by Edmir Ribeiro Terra

Thanissaro Bhikkhu

Todos os ensinamentos do Buda devem ser compreendidos à luz de seu propósito principal, que é resolver um único problema: o problema de dukkha (estresse, sofrimento, tristeza, lamentação, dor, etc). Outras questões são tratadas apenas na medida em que se relacionam com a solução desse problema. Quaisquer questões irrelevantes para esse problema — ou que interfiram em sua solução — estão fora do escopo do que ele estava disposto a abordar.

“Tanto antigamente quanto agora, Anurādha, descrevo apenas o estresse e a cessação do estresse.” — SN 22:86 “A cessação do estresse”, aqui, não se refere ao simples desaparecimento de instâncias individuais de estresse, o que acontece o tempo todo. Em vez disso, refere-se ao fim total do estresse (dukkha), uma conquista que só pode ser alcançada por meio de um caminho de prática que visa promover o desapego pela origem ou causa do estresse. Esses fatos moldam o ensinamento central do Buda, as Quatro Nobres Verdades: o estresse, sua origem, sua cessação e o caminho da prática que conduz à sua cessação.

Os Pressupostos Metafísicos das Quatro Nobres Verdades

    A partir dessas quatro verdades, os pressupostos metafísicos subjacentes aos ensinamentos do Buda como um todo podem ser detectados. Eles não são difíceis de encontrar, pois são revelados pela forma como as verdades estão inter-relacionadas. As duas primeiras Nobres Verdades afirmam que o estresse (dukkha) é causado pela ação mental de Desejo e do Apego. As duas últimas verdades afirmam que a cessação do estresse pode ser alcançada por meio das ações que constituem o Caminho para sua cessação. A forma como essas verdades são combinadas demonstra que os pressupostos metafísicos básicos do Buda dizem respeito à ação (kamma): que a ação é real, que é o resultado de uma escolha, que tem consequências e que essas consequências podem levar ao estresse contínuo ou ao seu fim.

    Dadas essas suposições, faz sentido considerar as percepções do EU e do não-EU como tipos de kamma e avaliá-las quanto a se são ações que causam estresse ou que levam ao seu fim. É exatamente isso que o Buda faz. Ele aponta o ato de criar um senso de autoidentidade — em seus termos, “criação do EU” e “criação do MEU” (ahaṅkāra, mamaṅkāra — ver AN 3:33 ) — como uma das principais causas do estresse. O ensino do não-EU também é uma ação, uma percepção que é uma das muitas ações empregadas como parte do caminho para o fim do estresse, pondo fim a essa causa. No entanto, o Buda também descobriu que certos tipos de autoidentidade eram úteis para iniciar seus alunos no caminho e para motivá-los a permanecer no curso até que as habilidades do caminho estivessem tão maduras que a percepção do EU não fosse mais necessária.

    A percepção do não-EU seria então usada para minar qualquer apego a qualquer possível senso de EU, trazendo assim o despertar completo. Como uma das descrições do despertar é que ele é o “fim da ação” (SN 35:145 ; AN 4:237 ; AN 6:63), todo ato de percepção — incluindo a percepção do EU e do não-EU — seria posto de lado quando o despertar fosse alcançado.

    Isso significa que, nos ensinamentos do Buda sobre o caminho, tanto o “EU” quanto o “NÃO-EU” são usados não como princípios metafísicos, mas como estratégias: percepções que visam servir a um propósito específico ao longo do caminho e devem ser deixadas de lado quando não forem mais necessárias.

    De fato, todo o caminho para o fim do estresse (dukkha) é um conjunto de oito estratégias — os fatores que dão ao caminho o nome de Nobre Caminho Óctuplo: visão correta, resolução correta, fala correta, ação correta, modo de vida correto, esforço correto, Atenção Plena correta e Concentração correta. Todos esses fatores são habilidades a serem desenvolvidas e dominadas: estratégias dedicadas a um propósito hábil que são então abandonadas quando esse propósito é alcançado.

    A Visão Correta — o foco e a estrutura adequados para compreender o estresse e sua cessação — é uma dessas estratégias. E é sob esse fator do caminho que as visões sobre o EU e o não-EU funcionam para ajudar a acabar com o estresse. Isso significa que os ensinamentos sobre o EU e o não-EU são respostas, não à questão da existência ou não de um eu, mas à pergunta que o Buda disse estar no início do discernimento que leva à visão correta: “O que, quando feito por mim, levará ao meu bem- estar e felicidade a longo prazo?” (MN 135). Você encontra bem- estar e felicidade a longo prazo aprendendo a usar as percepções do EU e do não-EU de maneira hábil.

    Quanto ao objetivo, a cessação do estresse (dukkha), o Cânone afirma que, embora possa ser experimentado, está além do alcance da descrição e, portanto, quaisquer descrições do EU ou do não-EU não se aplicariam. Por ser o fim da ação, é desprovido de todas as estratégias. Os conceitos de EU e não-EU podem ser abandonados não apenas por serem inadequados para descrever o objetivo, mas também porque, uma vez alcançado, não têm mais função a cumprir.

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