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POR QUE DEVEMOS MEDITAR NA POSIÇÃO DE LÓTUS COMPLETO?
Os monges perguntaram:
“Reverendo e Bem-Aventurado, estávamos discutindo a prática da Atenção Plena ao Corpo. Como o Bem-Aventurado a exaltou, se essa prática for plenamente desenvolvida, ela conduz a resultados muito sublimes.”
O Buda ensinou que um monge vai para a floresta, para o pé de uma árvore ou para uma habitação vazia. Lá, ele se senta na posição de lótus completo, mantém as costas eretas e estabelece a atenção plena diante de si.
Assim, a primeira condição para a meditação é encontrar um local tranquilo e isolado, evitando lugares muito movimentados ou excessivamente barulhentos. O passo seguinte é sentar-se na posição de lótus completo.
Os pontos básicos da postura de lótus completo são:
Sente-se em uma superfície plana, com uma almofada fina por baixo. Cruze as pernas colocando o pé esquerdo sobre a coxa direita e, em seguida, o pé direito sobre a coxa esquerda. Vire as palmas das mãos para cima e coloque uma mão sobre a outra, apoiando-as onde os dois pés se encontram, na posição que for confortável. Mantenha as costas eretas, mas não as force a ficar excessivamente retas, pois isso pode causar fadiga.
Inicialmente, mantenha os olhos baixos, voltados para um ponto ligeiramente à sua frente. Use esse ponto como referência para ajudar a evitar que o corpo se mova ou se agite. Mais tarde, quando o corpo e a mente estiverem estáveis, você deve fechar os olhos para entrar em uma concentração mais profunda.
Relaxe os ombros, mantenha a boca fechada e posicione a língua contra os dentes superiores.
Sente-se em um local bem ventilado e evite que o vento sopre diretamente em suas costas. Mantenha todo o corpo relaxado e imóvel. Não permita movimentos desnecessários, mas, ao mesmo tempo, não tensione nem enrijeça nenhuma parte do corpo.
Ao conseguir sentar-se na posição de lótus completo, suas pernas podem começar a doer e a ficar dormentes, quase como se você estivesse sendo torturado. A mente ainda não se acalmou, o calor pode subir pelo corpo e o suor pode escorrer. Pode ser extremamente difícil e desconfortável. Aqueles que não possuem raízes saudáveis e fortes, provenientes de muitas vidas de prática, muitas vezes desistem. Ao ouvirem falar sobre a meditação sentada, podem tentar evitá-la por medo excessivo da dor. Como sentar-se na posição de lótus completo é muito difícil, muitas pessoas simplesmente sentam-se de pernas cruzadas. Algumas sentam-se em cadeiras e outras chegam até a recostar-se, fumar cigarros e, então, contemplar ou refletir. Esses não são os métodos de meditação ensinados pelo Buda.
Apenas aqueles que desenvolveram raízes salutares em vidas passadas podem ter determinação suficiente para superar a fase inicial de aprender a sentar-se na posição de lótus completo. Embora sentar-se nessa postura possa ser extremamente doloroso e difícil, existe, no fundo de si mesmos, uma certa fé que lhes permite suportar a dor e, gradualmente, permanecer sentados por períodos mais longos.
Mais tarde, após nos acostumarmos à postura e quando a mente se torna calma, podemos descobrir que a posição de lótus completo é a que melhor favorece a concentração e a estabilização da mente. Outras posturas simplesmente não se comparam. A seguir, temos a frase: “estabelecer a atenção plena diante de si”. Na realidade, isso não é simples.
Uma pessoa verdadeiramente capaz de ingressar nessa prática já deve possuir atenção plena.
Sua mente já deve estar relativamente controlada, relativamente pura e relativamente estável. Isso não é fácil.
Aqui, a atenção plena não significa algo que começa apenas quando nos sentamos para meditar. Antes de iniciar essa prática, ao longo de nossa vida cotidiana, já devemos ter a capacidade de manter a Mente relativamente firme e sob controle.
Quando a mente desenvolve consciência e percebe claramente o que está acontecendo, sem se deixar levar facilmente por pensamentos que causam distração, então temos a base necessária para ingressar em níveis mais profundos de prática.
Na terminologia Zen, uma pessoa que alcançou esse estado poderia ser descrita como alguém que, até certo ponto, reconheceu o “mestre”. Mas isso, de fato, não é fácil.
Na época do Buda, no entanto, esse estado ainda era considerado um nível de realização relativamente baixo.
Era descrito simplesmente como possuir atenção plena e clara compreensão.

