Ajahn ANAN AKIÑCANO
OLHANDO O MUNDO COM SABEDORIA
Todos nós tomamos nascimento neste mundo. Então desenvolvemos a compreensão de que o corpo é “nós” e que todas as coisas que podemos adquirir são “nossas”. A casa, o carro — tudo pertence a nós. Mas quando essas coisas se perdem, são roubadas ou simplesmente se desgastam, então o sofrimento aparece no nosso coração. Isso acontece porque nos apegamos a essas coisas como sendo nossas.
Esta é a causa. Isso não significa que sejamos negligentes com os nossos bens; ainda temos que cuidar deles para que possam ser usados por muito tempo. Mas fazemos uso deles com atenção plena e sabedoria, lembrando a nós mesmos: Essas coisas são impermanentes, certo? Elas realmente não me pertencem.
Ajahn Chah constantemente lembrava os monges e leigos de manterem a sua atenção plena em guarda. Vocês conseguem ver? Todas as coisas materiais em nossa posse devem ser consistentemente refletidas. Um dia o copo vai quebrar, certo? O carro vai ter que quebrar, certo? Isso se chama usar as nossas coisas com sabedoria. Isso é diferente de fazer uso das coisas cegamente.
Gostamos de coisas novas. Achamos que tudo o que é novo deve ser melhor. É assim que a ignorância, o desejo e o apego nos enganam. Mas vejam: mesmo que adquiramos algo novo, ele envelhece da mesma forma. Estamos sempre buscando coisas fora de nós porque não é difícil fazê-lo.
Mas por que não abrimos tempo para buscar o nosso coração? Por que não trabalhamos para renovar o nosso coração? Mais um ano passa e o nosso corpo sofre mais um ano de degeneração. Vemos isso acontecendo? Ou vemos apenas as coisas que adquirimos?
Às vezes temos que olhar para o que foi perdido. Mais um ano do nosso tempo neste mundo se foi; o nosso tempo restante diminuiu. A esse respeito, o Buda nos faz refletir frequentemente: Os dias e as noites passam implacavelmente; quão bem estou aproveitando o meu tempo?
As nossas vidas não estão longe da morte. Devemos trazer à tona essa lembrança da morte às vezes, como nos perguntar o que queremos desta vida. O que teria substância real? Podemos querer riqueza, status, elogios e prazer. Mas um dia essas coisas nos deixarão. Podemos buscá-las, mas elas não podem durar para sempre.
Este nosso corpo de que tanto gostamos — os nossos pais cuidam dele até crescermos. Dão-lhe comida e água, conseguem remédio quando está doente e encontram um lugar para ele ficar. Mas este corpo não segue os nossos desejos. Ele simplesmente segue o seu próprio caminho de acordo com causas e condições. No final, ele tem que se desintegrar, porque é assim que os corpos são.
Como praticantes, devemos nos interessar em seguir os caminhos do Dhamma e cultivar as nossas mentes.
Porque o que as nossas mentes precisam é de calma e quietude. Dizemos à mente para ficar em paz, então por que não está em paz? Não queremos nenhum pensamento de hostilidade e amargura em relação aos outros — pare agora mesmo! dizemos a ela — mas ela não para.
Se a ilusão, o desejo e o apego forem enfraquecidos, porém, então a mente pode ser levada a parar. Por esta razão, devemos treinar a nossa mente. Uma mente bem treinada traz felicidade, disse o Buda.

