Luang Pu Waen
Boas ações nunca devem ser misturadas com o mal
De acordo com o calendário Dhammayut, há duas vezes por mês um dia de Uposatha. Compartilhamos o seguinte relato do Dhamma de Luangpu Waen Suciṇṇo. Que os Devas se alegrem e que essa alegria seja compartilhada com todos que lerem, curtirem e compartilharem este ensinamento, juntamente com seus pais, familiares, parentes e entes queridos.)
Enquanto estava em Chiang Rai (Tailândia) durante o retiro das chuvas (três meses), Luang Pu Waen vivenciou algo profundamente perturbador — que se tornou uma poderosa lição sobre karma e intenção. Na quietude da noite, ele percebeu um ser grande pendurado de cabeça para baixo em uma árvore, com os cabelos despenteados, em forma emaciada, gritando de agonia. Com a mente calma e serena, ele perguntou: “O que você quer?” O ser respondeu: “Vim pedir mérito… por favor, compartilhe mérito comigo.”
A Causa do Sofrimento
Quando questionado, o ser revelou seu passado. Em sua vida humana, ele morava perto de Chiang Dao e ganhava a vida roubando e furtando. Antes de cada roubo, ele ia até uma imagem de Buda em uma caverna e fazia oferendas — flores, incenso, velas — rezando por sucesso. Estranhamente, ele sempre obtinha êxito.
O Ponto de Virada – Mas em sua última tentativa, o dono da caverna estava preparado, e uma violenta luta começou. Ele foi gravemente ferido e mal conseguiu escapar. Consumido pela raiva, ele retornou à caverna e culpou a imagem de Buda por não tê-lo protegido. Em fúria, ele esmagou a cabeça da imagem de Buda com um machado. Ainda tomado pela vingança, ele pretendia retornar para se vingar assim que se recuperasse. Mas seus ferimentos eram muito graves. Ele morreu logo depois.
O Resultado do Karma – Após a morte, ele renasceu como um Peta (ser de outro plano inferior de existência) — um ser atormentado pelo sofrimento, assim como Luangpu Waen havia visto. Ele suportou angústia contínua, sem vislumbrar um fim claro para seu sofrimento. Agora, tomado pelo arrependimento, buscou alívio através do mérito compartilhado (puñña).
Compaixão, mas sem certeza – Luangpu Waen concentrou sua mente e irradiou mettā (bondade amorosa), dedicando mérito ao ser sofredor. Ele comentou: “Se isso realmente ajudaria, eu não tinha certeza. O karma (ou kamma) era muito pesado.” Contudo, após o ato de dedicação, o ser desapareceu — e nunca mais foi visto.
Um detalhe curioso – Luang Pu Waen observou algo incomum. Esse ser se referia a si mesmo como “eu” (de uma maneira moderna e informal), diferentemente de outros espíritos, que frequentemente usavam uma linguagem mais formal ou arcaica. Ele chegou a comentar que aquele era um “Peta moderno”.
O Dhamma na história – Este relato contém diversos ensinamentos importantes. Primeiro, boas ações não podem ser usadas para apoiar más intenções. Segundo, o karma (kamma) moldado pela ganância, raiva e desrespeito traz graves consequências. Além disso, mesmo atos de devoção, quando motivados por intenções erradas, não levam à verdadeira proteção. Ao mesmo tempo, a prática de compartilhar mérito e mettā permanece um ato compassivo. Pode oferecer alívio — de acordo com as condições do karma (ou kamma) de cada ser.
Reflexão Final – A FÉ sem intenção correta se distorce. Mérito misturado com más ações não pode gerar verdadeira segurança. Esta história nos lembra de fazer o bem com intenção pura, evitar prejudicar os outros e respeitar as Três Joias (Buddha, Dhamma e o Sangha). Em última análise, o karma segue a mente — não o ritual.

