Ajahn Jayasāro
MOTIVAÇÃO
A motivação é um fenômeno impermanente e condicionado. A motivação diária para praticar faz parte da prática. De fato, tudo o que ocorre na Mente deve ser considerado incluído na prática. A força da nossa motivação precisa ser monitorada, porque ela flutua. Ela está em um nível ótimo ou estamos abordando a prática de forma mecânica ou superficial? Crucialmente, precisamos monitorar se nossa Motivação atual é saudável ou se ela é prejudicial.
A motivação saudável é a raiz de todo progresso no Dhamma. A motivação prejudicial está na raiz de toda estagnação e declínio no Caminho.
O Esforço Correto, a Atenção Plena correta, o samādhi correto só são possíveis com a Motivação saudável. A motivação saudável (Dhammachanda) é focada na qualidade do processo, no que estamos fazendo agora, nas causas e condições que estamos criando. A motivação prejudicial é focada no futuro, nos resultados desejados da prática. Está ligado ao desejo (taṅhā): o desejo por uma Experiência particular, o desejo de Ser ou se tornar algo ou outro; o desejo de aniquilar ou escapar da sensação de ser algo ou outro.
O Buda e todos os grandes professores nos exortam: Reconheça e deixe de lado a motivação prejudicial. Cultive a motivação que seja saudável, para seu sucesso no Caminho.
Foco na Meditação
Meditantes frequentemente duvidam sobre o nível de samādhi necessário para fornecer a estabilidade e clareza mental suficiente para suportar a contemplação das três características de anicca, dukkha e anatta. A resposta pode ser encontrada na pergunta. Se um meditante é capaz de sustentar a contemplação sem distração, então a base do samādhi é suficiente. Se eles são incapazes de sustentar o foco da contemplação, então a base do samādhi é insuficiente.
Em caso do último, eles devem retornar ao seu objeto primário de Meditação. Este é um assunto em que não é necessário se envolver em muita discussão teórica. Fazer isso tende a terminar em argumentos não resolvidos, cada lado citando os textos de sua escolha, ou diferentes interpretações do mesmo texto.
Dúvidas sobre Vinaya podem chegar ao fim ao olhar para os textos relevantes. Mas dúvidas sobre Dhamma chegam ao fim ao colocar ênfase primária na experiência direta.
Reconhecendo o Dhamma
Jīvaka Komārabhacca era o médico de Buddha. Nos textos escritos em Pāli (língua da época de Buddha), é contado que pouco depois que o Abençoado nasceu, sua mãe cortesã mandou joga-lo lixo. Mais tarde depois do dia que isso ocorreu, o príncipe Abhaya de Magadha passou pela lixeira e avisou que alguma coisa diferente estava ocorrendo e mandou um de seus atendentes investigar o fato. Quando foi informado que a visão do embrulho suspeito era um bebê, ele perguntou se ainda estava vivo, e a resposta foi que estava sim. O príncipe Abhaya decidiu naquele momento criar o menino sozinho e deu-lhe o nome de Jīvaka (cujo significado é aquele que está vivo).
Jīvaka foi estudar medicina na grande universidade de Taxila (Índia), sob a tutoria do professor Ātreya. Ao fina de seus estudos o professor que era seu tutor, lhe passou um teste. Ele disse que o seu aluno desse uma volta pelos arredores da Universidade, pelo lado externo, e colhesse amostras de todas as plantas não-medicinais. Jīvaka voltou ao final do dia de mãos vazias e desapontado.
Mas Ātreya estava atento ao assunto. O fato é que ele não poderia encontrar uma planta sem algum tipo de propriedade curativa significava então que seu aluno Jīvaka tinha sido aprovado no teste por não ter falhado em sua busca.
O olho discerne em cada situação, qual é sua característica particular, ou que possua qualidades medicinais. Isto está na capacidade de reconhecer e fazer uso destas qualidades que nós podemos ver nosso avanço nos Ensinamentos (Dhamma). Alguns devem ter paciência, alguns devem ter humildade, alguns gentileza, alguns devem ter calma, e outros devem ter sabedoria. Não há necessidade de pensar tal coisa como ser isso uma perda de tempo. Fica a lição do professor do médico, que atendia o Abençoado

