Skip to content
Menu
Theravada
  • Início
  • News
  • Fundamentos
  • Livros
  • Cânticos
  • Galeria
  • Links
  • Dana
  • Fotos
    • Monges
    • Selos
    • Mosteiros
  • Sobre
Theravada
neuralign.com.br

Desapegar e Dana (mérito em Doar)

Posted on 02/08/202602/08/2026 by Edmir Ribeiro Terra

Phra Ajahn Lee Dhammadharo

Uma das razões importantes pelas quais o Buda ensinou o Dhamma foi para nos ensinar a desapegar, a não nos agarrarmos às coisas. Quanto mais realmente conhecemos o Dhamma, mais conseguimos desapegar. Aqueles que sabem um pouco conseguem desapegar um pouco; aqueles que sabem muito conseguem desapegar muito.

Como primeiro passo, somos ensinados sobre o dāna — ser generoso, fazer doações — como uma estratégia para aprendermos a desapegar. O passo seguinte é cāga — renunciar aos direitos de posse —, que é um desapego em um nível mais elevado do que dāna. E, finalmente, em um nível mais refinado, somos ensinados a abrir mão de todos os nossos upadhi, ou as impurezas mentais ligadas à aquisição e ao apego. Esse é o nível em que examinamos e exploramos até alcançarmos a libertação total.

Dāna significa doar coisas materiais. Se não as doamos, é difícil desapegar delas. Na maioria das vezes, se não doamos as coisas, mantemos direitos sobre elas e as consideramos como nossas. Mas, se as doamos, não temos mais nenhum direito sobre elas. As coisas às quais nos apegamos são perigosas.
(1) Elas podem nos causar danos;
(2) Elas causam danos às pessoas que as roubam de nós. E;
(3) uma vez que essas pessoas as roubam, elas passam a reivindicar direitos sobre elas.
O Buda viu esses perigos; por isso, ensinou-nos a ser generosos, a aprender a doar as coisas.

As pessoas que desenvolvem o hábito da generosidade colhem muitas recompensas. O ato de generosidade retorna a elas tanto no presente quanto no futuro. Elas terão muitos amigos. Outras pessoas confiarão nelas. Seus corações são leves — não estão sobrecarregados com preocupações sobre cuidar das coisas que doaram. E esses mesmos resultados continuarão surgindo no futuro, assim como quando temos um balde de grãos de arroz: se os plantarmos em um campo, colheremos dez baldes de arroz em troca. O mesmo vale para a bondade que desenvolvemos nesta vida. Ela traz enormes retornos. É assim que as pessoas dotadas de discernimento compreendem isso.

Cāga é o próximo passo. Dāna é algo que até pessoas desequilibradas podem praticar, mas cāga é um tipo de doação que apenas os sábios conseguem realizar, pois, para eles, o senso de posse pessoal deve cessar imediatamente no ato de doar. Eles percebem que todas as coisas materiais são propriedade comum: as coisas não pertencem realmente a nós, nem pertencem realmente a outras pessoas. Se você vê as coisas como algo que lhe pertence, isso é apego à sensualidade (kāmasukhallikānuyoga).

Se você vê as coisas como algo que pertence aos outros, isso é apego à autoflagelação (attakilamathānuyoga). Quando nascemos, não trouxemos nada conosco. Quando morremos, não levaremos nada ao partir. Então, o que realmente nos pertence? O senso de posse precisa se desprender do coração para que nossa doação seja considerada cāga.

O terceiro nível de desapego consiste em abrir mão daquilo que está no coração. Independentemente de doarmos ou não os objetos, nós os soltamos em nosso coração todos os dias. Desapegamo-nos das coisas que temos e também daquelas que não temos. É como alguém que precisa lavar a boca e as mãos após cada refeição para se manter sempre limpo. Isso significa que não permitimos que nada atue como inimigo do coração, tornando-nos avarentos ou apegados.

Se não fizermos isso, seremos como aquela pessoa que não se higieniza após a refeição: não estaremos limpos e permaneceremos adormecidos, sem jamais despertar. Mas, quando praticamos esse tipo de desapego, chamamos isso de virāga-dhamma, ou desapego (ausência de paixão). Os níveis inferiores de desapego são práticas que realizamos apenas ocasionalmente; o desapego profundo, porém, é algo que podemos cultivar continuamente.

Normalmente, nossas impurezas nos amarram de pés e mãos e, então, nos pregam ao chão. É difícil alcançar a libertação; por isso, precisamos de um alto nível de habilidade — em Pali é chamado bhāvanāmaya-paññā, o discernimento que advém do desenvolvimento da mente na meditação — para conquistá-la.

O desapego é uma qualidade mental verdadeiramente deliciosa e nutritiva. Quem não alcançou esse nível do Dhamma provou apenas a casca da fruta, sem conhecer o sabor e a nutrição da polpa. A parte boa da polpa está nas camadas mais profundas.

Os upadhi-kilesas (na lígua Pali), ou as impurezas mentais ligadas à apropriação, são a ignorância, o desejo e o apego. Se alcançarmos o nível em que vemos o Dhamma por nós mesmos, em nosso interior, então assumimos a responsabilidade por nós mesmos. Podemos lidar com essas questões sozinhos, tal como quando atingimos a maioridade legal.

Se conseguirmos conduzir a mente ao primeiro jhāna, poderemos abandonar os cinco obstáculos.

A maioria de nós é como crianças inexperientes: ao comer peixe ou frango, ingerimos as espinhas ou os ossos junto com a carne, pois ainda não desenvolvemos a compreensão intuitiva. Quando essa compreensão surge, ela é mais deslumbrante que a luz do fogo e mais afiada que uma lança. Ela pode consumir tudo — carne, ossos, arroz, cascas, o que quer que seja —, pois é inteligente o suficiente para reduzir tudo a pó. Ela pode consumir formas visuais, sons, odores, sabores, sensações táteis e ideias. Sejam bons ou ruins, ela não faz distinção; pode consumir a todos. Se as pessoas nos elogiam, podemos usar isso para nutrir o coração.

Se nos criticam, podemos usar isso para nutrir o coração. Mesmo que o corpo sinta uma dor terrível, o coração pode permanecer em paz, pois possui todos os utensílios necessários para preparar adequadamente o seu alimento: moedores, misturadores, panelas a vapor, caçarolas e frigideiras. A névoa da ignorância se dissipará. Tudo o que nos prende — os cravos dos cinco agregados do Apego, as três cordas (amor pelo cônjuge, amor pelos filhos, amor por bens materiais) e as oito correntes das vicissitudes do mundo (loka-dhamma em Pali): ganhar, perder, ter status, perder o status, ser elogiado, ser criticado, querer prazer e não querer dor — tudo isso cairá por terra.

Pessoas insensatas acham confortável permanecer na prisão; é por isso que continuam praticando cada vez mais o mal. Elas veem o mundo como algo agradável e, assim, assemelham-se a prisioneiros que não querem sair da cadeia. As pessoas dotadas de discernimento são como a codorna engaiolada que busca incessantemente uma maneira de sair da gaiola. Como resultado, as correntes que as prendem se soltarão, elo por elo. As oito vicissitudes do mundo são como as correntes colocadas nos criminosos para mantê-los aprisionados. Os insensatos pensam que essas correntes são colares de ouro para usar como adorno. Na verdade, são coisas que corrompem a Mente. Aqueles que se deixam prender por elas jamais escaparão, pois temem perder sua riqueza e status, e temem receber a crítica e a fugir da dor. Quem está apegado ao prazer e teme a crítica jamais conseguirá vir ao mosteiro para praticar.

O Buda percebeu que somos como macacos presos a uma corrente. Se não desenvolvermos a sabedoria libertadora, jamais nos libertaremos de nossas correntes. Jamais alcançaremos o desapego.

No primeiro estágio, abandonamos o mal e começamos a praticar o bem. No segundo estágio, abandonamos o mal e certas formas de bem. No terceiro estágio, abandonamos tudo — o bem e o mal —, pois tudo é condicionado por natureza e, portanto, não é confiável. Praticamos o bem, mas não nos apegamos a ele. Ao deixar ir, é preciso agir com inteligência, e não de maneira destrutiva — isto é, simplesmente deixando de praticar o bem. Você não pode se apegar nem mesmo às suas opiniões, muito menos às coisas materiais. Quando você pratica o bem, faz isso em prol dos seres vivos do mundo, de seus filhos e netos. Você faz tudo da melhor maneira possível, mas sem se apegar, pois sabe que todas as coisas fabricadas são impermanentes. Dessa forma, seu coração pode permanecer límpido e radiante como uma joia.

Se você se deixa levar por críticas ou por elogios, agirá como um tolo. É como beber a saliva de outras pessoas. Quando você age corretamente, haverá quem diga que você está certo e quem diga que está errado. Quando você age de forma errada, haverá quem diga que está errado e quem diga que está certo. Não há nada de constante no bem ou no mal, pois ambos não passam de construções mentais.

História – O Supremo Campo de Mérito

Certa vez, há muitos anos, um dos discípulos de Luang Pu Chanrian ficou profundamente perturbado após ser criticado por um amigo próximo por acumular méritos regularmente no Wat Pa Ban Tat (provincia de Mukdahan, Tailândia).

O discípulo relatou o incidente a Luang Pu Chanrian Khunvaro, contando que seu amigo havia comentado:
“Por que você precisa escolher um monge ou templo específico ao acumular méritos?
Não poderia fazê-lo em qualquer templo ou com qualquer monge?
Não seria melhor apoiar templos pobres e monges que realmente necessitam?”

Luang Pu respondeu:
“Quando comemos, não escolhemos o que ingerimos? Escolhemos alimentos saudáveis ​​e de boa qualidade. Acumular méritos é a mesma coisa: devemos escolher os monges e os templos que apoiamos. Se acumulamos méritos com monges que não se conduzem adequadamente, estamos, na prática, apoiando e incentivando uma conduta não virtuosa.”
Ele continuou:
“Se você não sabe se o monge que recebe sua oferenda é virtuoso ou não, então ofereça as esmolas enquanto contempla o Buda como o objeto principal de sua devoção.”

Luang Ta Maha Bua Ñāṇasampanno também ensinou certa vez:
“Se fosse assim, então, se um ladrão simplesmente vestisse um manto açafrão, teríamos de nos curvar e prestar-lhe homenagem?” Ele aconselhou ainda:
“Como budistas, devemos ser sábios. Não devemos presumir que, simplesmente porque alguém veste a túnica cor de açafrão, devamos lhe dar tudo o que pedir.”

Esse ensinamento nos lembra que a generosidade (dāna) deve ser guiada pela FÉ aliada à sabedoria. O Buda elogiou as oferendas feitas àqueles que praticam bem o Dhamma como sendo especialmente frutíferas, ao mesmo tempo em que incentivou uma generosidade livre de má vontade ou desprezo. Apoiar indivíduos e comunidades dignos ajuda a preservar os ensinamentos do Buda e beneficia tanto quem doa quanto o Saṅgha como um todo.

Post Views: 11

Deixe um comentário Cancelar resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Categorias

  • Cânticos
  • Dana
  • Fotos
  • Fundamentos
  • Galeria
  • História
  • Links
  • Livros
  • Monges
  • Mosteiros
  • News
  • Selos
  • Textos

Pix de Apoio

edmirterra@gmail.com

©2026 Theravada | Powered by Superb Themes