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Decisão de Ensinar o Dhamma

Posted on 13/05/202613/05/2026 by Edmir Ribeiro Terra

Bikkhu Bodhi

A DECISÃO DE ENSINAR

“Eu pensei dessa maneira:

‘Esse Dhamma que eu atingi é profundo, difícil de ver e compreender, pacífico e sublime, inatingível pelo simples raciocínio, sutil, que deve ser experimentado pelos sábios. Mas esse povo se deleita no apego, sente prazer no apego, alegra-se com o apego. É difícil para esse povo ver a verdade nomeadamente, a condicionalidade específica, a originação dependente. É difícil ver esta verdade, nomeadamente, a pacificação de todas as formações, o abandono de todas as aquisições, a destruição do desejo, o desapego, a cessação, o Nibbāna. Se eu fosse ensinar o Dhamma, os outros não me entenderiam, e isso seria preocupante e problemático para mim’.

Naquele momento, esses versos nunca dantes ouvidos me ocorreram espontaneamente:

Chega de pregar o Dhamma
Que até mesmo eu acho difícil alcançar;
Pois ele jamais será percebido
Por aqueles que vivem na paixão e no ódio.
Aqueles tingidos pela paixão, envolvidos pela escuridão
Nunca discernirão esse complicado Dhamma
Que vai contra a corrente do mundo
Sutil, profundo e difícil de ver.

Assim considerando, a minha mente se inclinou para a inação, e não para o ensino do Dhamma. Então, monges, Brahmā Sahampati percebeu com a sua mente o pensamento na minha mente e ele pensou da seguinte maneira:

‘O mundo ficará perdido, o mundo irá perecer, já que a mente do Tathāgata, o Arahant, o Perfeitamente Iluminado, inclina-se para a inação ao invés do ensino do Dhamma’.

Então, mais rápido do que um homem pode estender o seu braço flexionado ou flexionar o seu braço estendido, Brahmā Sahampati desapareceu no mundo de Brahma e apareceu perante mim. Ele ajeitou a sua veste superior sobre um ombro, e estendendo as suas mãos em saudação reverente em minha direção, disse:

‘Venerável, que o Abençoado ensine o Dhamma. Existem seres com pouca poeira sobre os seus olhos que estão perecendo ao não ouvir o Dhamma. Haverá aqueles que compreenderão o Dhamma’. Brahmā Sahampati assim falou, e disse ainda: Em Magadha, até agora, apareceram ensinamentos Impuros elaborados por aqueles ainda maculados.

Abra as portas para o Imortal! Que eles ouçam
O Dhamma que o imaculado descobriu.
Assim como alguém que está no pico de uma montanha
Pode ver abaixo todos aqueles em volta,
Portanto, Oh Sábio onisciente!
Levante o palácio do Dhamma.
Possa Aquele que não sofre olhar essa raça humana
Envolta em dor, esmagada pelo nascimento e velhice.
Levante-se, Herói Vitorioso, líder da caravana,
Aquele sem dívidas e vagueie pelo mundo.
Possa o Abençoado ensinar o Dhamma,
Haverá aqueles que entenderão.

Então eu ouvi o pedido de Brahmā Sahampati e, por compaixão pelos seres, eu observei o mundo com o olho de um Buda. Observando o mundo com o olho de um Buda, eu vi seres com pouca poeira nos olhos e seres com muita poeira nos olhos, com faculdades aguçadas e outros com faculdades embotadas, com boas qualidades e com más qualidades, fáceis de serem ensinados e difíceis de serem ensinados, e alguns que vivem sob o medo e vergonha no outro mundo. Assim como num tanque de lótus azuis, vermelhos e brancos, alguns lótus que nascem e crescem na água florescem imersos na água sem dela emergir, alguns outros que nascem e crescem na água alcançam a sua superfície, e alguns outros que nascem e crescem na água dela emergem e se mantêm limpos e secos. Da mesma maneira também, observando o mundo com o olho de um Buda, eu vi seres com pouca poeira nos olhos e seres com muita poeira nos olhos, com faculdades aguçadas e outros com faculdades embotadas, com boas qualidades e com más qualidades, fáceis de serem ensinados e difíceis de serem ensinados, e alguns que vivem sob o medo e vergonha no outro mundo. Eu então respondi a Brahmā Sahampati em versos:

Abertas para eles estão as portas do Imortal
Que aqueles com ouvidos agora mostrem a sua fé.
Pensando ser problemático, Oh Brahmā,
Eu não falei o Dhamma sublime e sutil.

Então Brahmā Sahampati pensou:
‘O Abençoado aceitou o meu pedido para que ele ensine o Dhamma’. E após ter me homenageado, mantendo-me à sua direita, ele então partiu imediatamente. Eu pensei assim:

‘Para quem eu devo ensinar primeiramente o Dhamma? Quem entenderá esse Dhamma rapidamente?’
Então me ocorreu:

‘Ālāra Kālāma é sábio, inteligente e possui discernimento; há muito tempo ele tem pouca poeira nos olhos. Suponha que eu ensine este Dhamma primeiramente para Ālāra Kālāma. Ele compreenderá rapidamente’. Então deidades se aproximaram e me disseram:

‘Venerável, Ālāra Kālāma faleceu sete dias atrás’. E o conhecimento e a visão surgiram em mim:

‘Ālāra Kālāma faleceu sete dias atrás’.

Eu pensei: ‘A perda de Ālāra Kālāma é uma grande perda. Se ele tivesse escutado esse Dhamma, ele o teria compreendido rapidamente’. Eu pensei assim: ‘Para quem eu devo ensinar primeiramente o Dhamma? Quem entenderá esse Dhamma rapidamente?’

Então me ocorreu:

‘Uddaka Rāmaputta é sábio, inteligente e possui discernimento; há muito tempo ele tem pouca poeira nos olhos. Suponha que eu ensine este Dhamma primeiramente para Uddaka Rāmaputta. Ele compreenderá rapidamente’.

Então deidades se aproximaram e me disseram: ‘Venerável, Uddaka Rāmaputta faleceu na noite passada’. E o conhecimento e a visão surgiram em mim: ‘Uddaka Rāmaputta faleceu na noite passada’. Eu pensei: ‘A perda de Uddaka Rāmaputta é uma grande perda. Se ele tivesse escutado esse Dhamma, ele o teria compreendido rapidamente’.

Eu pensei assim: ‘Para quem eu devo ensinar primeiramente o Dhamma? Quem entenderá esse Dhamma rapidamente?’ Então me ocorreu: ‘O grupo de cinco monges que me acompanhava enquanto eu praticava ascetismo foi muito prestativo. Suponha que eu ensine o Dhamma primeiramente a eles. Então eu pensei: ‘Onde está vivendo agora o grupo de cinco monges?’

E com o olho divino, que é purificado e supera o humano, eu vi que eles estavam vivendo em Bārānasī no Parque dos Cervos em Isipatana.

Então monges, após ficar em Uruvelā pelo tempo que eu quis, eu parti e me dirigi aos poucos para Bārānasī. Entre Gayā e Bodhi, Ājīvaka Upaka me viu na estrada e disse: ‘Amigo, as suas faculdades estão claras, a cor da sua pele é pura e brilhante. Com quem você renunciou ao mundo, amigo? Quem é o seu mestre? Você professa o Dhamma de quem?’ Eu respondi a Ājīvaka Upaka em versos:

Eu sou aquele que transcendeu tudo, onisciente,
Imaculado entre todas as coisas, a tudo renunciei,
Liberto pelo cessar do desejo. Tendo conhecido
Tudo isto por mim mesmo, a quem eu posso apontar como mestre?
Eu não possuo mestre, ninguém como eu
Existe em lugar algum do mundo
Com todos os seus devas, porque
Não existe ninguém com quem
Eu possa ser comparado.
Pois eu sou um arahant no mundo,
Eu sou o mestre supremo. Somente
Eu sou aquele Perfeitamente Iluminado
Cujos fogos foram controlados e extintos.
Eu agora vou para a cidade de Kāsi
Colocar em movimento a Roda do Dhamma.
Num mundo que ficou cego,
Eu baterei o tambor do Imortal.

Ariyapariyesana Sutta – Majjhima Nikāya 26

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