Ajahn Mudito
Namo Tassa, Bhagavato, Arahato, Sammasambuddhassa
Namo Tassa, Bhagavato, Arahato, Sammasambuddhassa
Namo Tassa, Bhagavato, Arahato, Sammasambuddhassa
Buddhaṁ, Dhamaṃ, Sanghaṁ, Namassāmi.
Na palestra de ontem, discutiu-se a regra monástica e as dificuldades de aplicá-las na vida prática. A teoria, por si só, não revela como viver essa regras no dia a dia, pois a realidade que o cérebro processa é diferente da realidade real.
O intelecto tem a vantagem de simplificar a realidade em pequenos blocos manipuláveis, facilitando o pensamento, a avaliação e a comunicação. Porém, essa simplificação tem um preço: ela não consegue expressar toda a complexidade do real. Quem vive apenas de explicações teóricas pode até falar sobre o assunto, mas não terá uma compreensão profunda. Aplicar a teoria ao pé da letra pode funcionar com máquinas, mas não com pessoas ou animais.
Com o aumento da interação com máquinas, criamos a expectativa de que a vida funcione como um botão: faço isso e acontece aquilo. Mas a vida não é tão simples. A mente humana não funciona como uma máquina. Assim, há um progresso material, mas haverá uma regressão espiritual. Muitas pessoas, segundo mestres tailandeses, morrem e regridem, incapazes de sustentar um nascimento humano, porque o cotidiano não nutre a mente, o espírito ou o coração. Tudo é conveniente, rápido e pronto; falta paciência, falta atenção plena, falta cuidado e esforço contínuo.
Isso afeta até a faculdade: muitos desistem no primeiro ano, de esforço para avançar no Caminho. E também prejudica a prática espiritual, pois as pessoas veem os problemas e desistem, achando que isso resolverá algo.
Quando Buda alcançou a Iluminação, ele pensou em não ensinar ninguém, mas refletiu: “Se eu consegui a Iluminação, outros também podem conseguir.” Muitos mestres tiveram a mesma experiência. Porém, as pessoas são criativas em se sabotar, encontrando razões para desistir, mas não para persistir e se esforçarem.
Essa falta de perseverança vem dos valores sociais e das expectativas baseadas em produtos comerciais, pediu, comprou, pagou e pronto. As pessoas querem resultados rápidos e, ao não obtê-los, desanimam. Isso não vale só para o Dhamma, mas para qualquer tarefa que exija tempo, como aprender um idioma ou tocar um instrumento musical.
Muitos acham que, se desistirem hoje, amanhã algo mudará, mas isso é delusão. Se você não age, nada se transforma. É triste ver que a inteligência muitas vezes serve apenas para justificar a desistência, mas não para encontrar caminhos para persistir.
Quando o coração não está preparado, nem adianta explicar. O conselho é: faça sempre algo difícil, saia da sua zona de conforto. Se tem aversão a limpar a casa, levante-se cedo, vença a preguiça e limpe a casa. Ataque as impurezas da Mente (kilesās). Elas só se fortalecem com a fuga.
A cultura atual incentiva o conforto, mas progresso espiritual e comodidade são incompatíveis com o caminho espiritual. Muitas pessoas só despertam quando o sofrimento aperta, mas isso costuma acontecer tarde demais, em geral na velhice. Não é à toa que 80% das pessoas regridem: o cotidiano não nutre o espírito, apenas desgasta o ser humano.
Vivemos uma época em que as pessoas estão histéricas, não sabem ouvir, colaborar ou conviver de forma social. Muitos já vêm de nascimentos inferiores (nas vidas passadas) e caem ainda mais baixo (planos inferiores após a morte). É um ciclo descendente. Por isso, talvez seja bom se isolar um pouco, cuidar de si mesmo antes de tentar ajudar os outros. Veja seus problemas e suas causas.
Falta gente boa par se conviver, não há falta de explicações ou discursos. Pare de anunciar boas ações no Facebook e comece a agir com sinceridade. Menos exposição nas redes sociais e mais trabalho interno. A morte pode chegar a qualquer momento; com 80% de chance de regressão a vidas inferiores, é urgente agir. De que forma? Praticar o Dhamma e Concentração corretas (meditação).

