Narada Thera
VEDANĀ — Derivado de ἀνρις (vid), experimentar.
Sentimento é uma tradução mais apropriada para Vedanā do que sensação. Assim como o contato, o sentimento é uma propriedade essencial de toda consciência. Pode ser prazeroso, doloroso ou neutro. Dor e prazer também se aplicam ao corpo. Mas a sensação física não tem importância ética.
Segundo os comentadores, o sentimento é como um mestre que aprecia um prato preparado por um cozinheiro. Este último é comparado aos demais estados mentais que constituem um complexo de pensamento. Estritamente falando, é o sentimento que experimenta um objeto quando este entra em contato com os sentidos.
É esse sentimento que experimenta os frutos desejáveis ou indesejáveis de uma ação realizada nesta ou em uma vida anterior. Além desse estado mental, não há alma ou qualquer outro agente para experimentar o resultado da ação.
Deve-se entender aqui que a bem-aventurança Nibbāna não tem nada a ver com o sentimento. A bem-aventurança Nibbāna é certamente a felicidade suprema (Sukkha), mas é a felicidade do alívio do sofrimento. Não se trata do desfrute de qualquer objeto prazeroso.
SAÑÑA — Sam + na, conhecer. (Comp. Latim cognosces, conhecer.)
O significado deste termo varia amplamente de acordo com o contexto. Para evitar confusões desnecessárias, é melhor entender o significado específico usado nesta conexão particular como um estado mental universal.
A principal característica de Saññā é a cognição de um objeto por meio de uma marca, como azul, etc. É Saññā que permite reconhecer um objeto que já foi percebido pela mente através dos sentidos. “Seu procedimento é comparado ao reconhecimento, pelo carpinteiro, de certos tipos de madeira pela marca que fez em cada uma; à identificação, pelo tesoureiro, de certas joias pela etiqueta em cada uma; ao discernimento, pelo animal selvagem, da obra do homem através do espantalho.
Saññā significa, portanto, percepção sensorial simples.
“Percepção”, segundo um dicionário moderno de filosofia, “é a apreensão de objetos sensoriais comuns, como árvores, casas, cadeiras, etc., por ocasião da estimulação sensorial.”
Deve-se entender que a percepção não é usada aqui no sentido empregado por filósofos do início da era moderna, como F. Bacon, Renée Descartes, Spinoza e G. Leibniz. Como um dos cinco Khandhās (Agregados), Saññā é usado no sentido de percepção.
Será que a memória se deve a essa Saññā?
Saññā, Viññaṇa e Pañña devem ser diferenciados uns dos outros. Saññā é como a mera percepção de uma moeda de um rupia por uma criança. Por sua brancura, formato redondo e tamanho, ela simplesmente reconhece a moeda como uma rupia, ignorando completamente seu valor monetário.
Um homem, por exemplo, discerne seu valor e sua utilidade, mas não tem conhecimento de sua composição química. Viññaṇa é comparável ao conhecimento que o homem comum tem da rupia. Pañña é como o conhecimento analítico de um químico que conhece todas as suas propriedades químicas em detalhes.

