Ajahn Chah
“Permaneçam com o Buda. Como foi dito muitas vezes, em nossa prática devemos nos voltar para dentro e encontrar o Buda. Onde está o Buda? O Buda ainda está vivo até hoje, entrem e encontrem-no. Onde ele está? Em aniccam, entrem e encontrem-no lá, vão e curvem-se diante dele: aniccam, incerteza. Vocês podem parar por aí, para começar.
Se a mente tentar lhe dizer: ‘Agora sou um sotāpanna’, vá e curve-se diante do sotāpanna. Ele mesmo lhe dirá: ‘Tudo é incerto’. Se encontrarem um sakadāgāmī, vão e prestem-lhe homenagem. Quando ele os vir, simplesmente dirá: ‘Não é uma certeza!’. Se houver um anāgāmī, vão e curvem-se diante dele. Ele lhes dirá apenas uma coisa… ‘Incerto’. Se encontrarem até mesmo um Arahant, vão e curvem-se diante dele, ele lhes dirá com ainda mais firmeza, “Tudo é ainda mais incerto!” Você ouvirá as palavras dos Nobres… “Tudo é incerto, não se apegue a nada.”
Não olhe para o Buda como um simplório. Não se apegue às coisas, agarrando-se a elas sem soltá-las. Veja as coisas como funções do aparente e então envie-as para a transcendência. É assim que você deve ser. Deve haver aparência e deve haver transcendência.
Então eu digo: “Vá até o Buda.” Onde está o Buda? O Buda é o Dhamma. Todos os ensinamentos deste mundo podem ser contidos neste único ensinamento: aniccam. Pense nisso. Busquei por mais de quarenta anos como monge e isso é tudo o que consegui encontrar. Isso e paciência. É assim que se deve abordar o ensinamento do Buda… aniccam: tudo é incerto.
Não importa o quão certa a mente queira estar, apenas diga a ela: “Não tenho certeza!” Sempre que a mente quiser se agarrar a algo como uma certeza, apenas diga: “É… Não tenho certeza, é impermanente.” Simplesmente aceite isso.
Usando o Dhamma do Buda, tudo se resume a isto. Não se trata apenas de um fenômeno momentâneo. Esteja você de pé, caminhando, sentado ou deitado, você vê tudo dessa maneira. Quer surja a avidez ou a aversão, você vê tudo da mesma forma. Isso é se aproximar do Buda, se aproximar do Dhamma.”

