Narada Thera
O iogue que deseja realizar o Nibbāna busca compreender as coisas como elas realmente são. Com sua mente focada, ele examina a si mesmo e, após uma análise cuidadosa, descobre que sua chamada “personalidade do EU” nada mais é do que uma mera composição de mente e matéria — a primeira consistindo em atividades volitivas que surgem como resultado do contato dos sentidos com os estímulos sensoriais, e a segunda em forças e qualidades que se manifestam em diversos fenômenos.
Tendo, assim, obtido uma visão correta da verdadeira natureza de seu ser, livre da falsa noção de uma substância idêntica de mente e matéria, ele tenta investigar a causa dessa “personalidade do EU”. Ele percebe que tudo o que é mundano, incluindo ele próprio, é condicionado por alguma causa ou causas, passadas ou presentes, e que esta existência se deve à ignorância passada, ao desejo, ao apego, ao karma e ao alimento físico da vida presente. Devido a essas cinco causas, essa personalidade surgiu e, assim como as atividades passadas condicionaram o presente, o presente condicionará o futuro. Meditar dessa forma transcende todas as dúvidas a respeito do passado, presente e futuro (Kankhāvitaranavisuddhi).
Então, ele contempla que todas as coisas condicionadas são transitórias (Anicca), sujeitas ao sofrimento (Dukkha) e desprovidas de uma alma imortal (Anatta). Para onde quer que ele olhe, não vê nada além dessas três características destacando-se nitidamente. Ele percebe que a vida é um mero fluxo, um movimento contínuo e indivisível. Nem no céu nem na terra ele encontra felicidade genuína, pois toda forma de prazer é apenas um prelúdio para a dor. O que é transitório é, portanto, doloroso, e onde a mudança e a tristeza prevalecem, não pode haver um ego permanente.
Enquanto está absorto em meditação, chega um dia em que, para sua surpresa, ele testemunha uma aura emanando de seu corpo (Obhāsa). Ele experimenta um prazer, uma felicidade e uma quietude sem precedentes. Ele se torna equilibrado e vigoroso. Seu fervor religioso aumenta, sua atenção plena se torna perfeita e sua intuição extraordinariamente aguçada. Iludido pela falsa ideia de ter alcançado a santidade, principalmente devido à presença da aura, ele anseia por esse estado de espírito. Logo percebe que essas tentações são apenas impurezas que impedem a intuição e que, na verdade, não alcançou a santidade. Assim, empenha-se em distinguir entre o caminho certo e o errado (Maggāmagga ñāṇadassana Visuddhi).
Percebendo o caminho certo, retoma sua meditação sobre o surgimento (Udaya Nana) e o desaparecimento (Vaya Nana) das coisas condicionadas. Dessas duas características, a última se imprime mais em sua Mente, pois a mudança é mais evidente do que o devir. Portanto, volta sua atenção para a contemplação da dissolução das coisas (Bhaṅga Nana).
Ele percebe que tanto a mente quanto a matéria, que constituem sua personalidade, estão em constante fluxo, não permanecendo as mesmas por dois momentos consecutivos. Então, ele compreende que todas as coisas que se dissolvem são temíveis (Bhaya Nana). O mundo inteiro lhe parece um poço de brasas ardentes, uma fonte de perigo. Em seguida, ele reflete sobre a miséria e a vaidade (Ādīnava Nana) do mundo temível e, sentindo repulsa por ele (Nibbidā Nana), deseja escapar (Muñcitukamyatā Nana).
Com esse objetivo em vista, ele medita novamente sobre as três características (Paṭisaṅkhā Nana) e, a partir daí, torna-se completamente indiferente a todas as coisas condicionadas — não tendo apego nem aversão por nenhum objeto mundano (Upekkhā Nam). Atingindo esse ponto de cultivo mental, ele escolhe como objeto de seu esforço especial uma das três características que mais lhe atrai e continua a desenvolver intensamente a percepção nessa direção específica, até que chegue o glorioso dia em que, para sua alegria indescritível, ele realiza o Nibbāna, seu objetivo final, pela primeira vez em sua vida.
Meditando dessa forma, ele transcende todas as dúvidas a respeito do passado, presente e futuro (Kankhavitaranavisuddhi). A partir daí, contempla que todas as coisas condicionadas são transitórias (Anicca), sujeitas ao sofrimento (Dukkha) e desprovidas de uma alma imortal (Anatta).
Para onde quer que volte o olhar, não vê nada além dessas três características em nítido contraste. Compreende que a vida é um mero fluxo, um movimento contínuo e indivisível. Nem no céu nem na terra encontra felicidade genuína, pois toda forma de prazer é apenas um prelúdio para a dor. O que é transitório é, portanto, doloroso, e onde a mudança e a tristeza prevalecem, não pode haver um ego permanente.
Enquanto está absorto em meditação, chega o dia em que, para sua surpresa, testemunha uma aura emanando de seu corpo (Obhasa). Experimenta um prazer, uma felicidade e uma quietude sem precedentes. Torna-se equilibrado e vigoroso. Seu fervor religioso aumenta, sua atenção plena se aperfeiçoa e sua intuição, extraordinariamente aguçada. Sob a falsa ilusão de ter alcançado a Santidade, principalmente devido à presença da aura, ele anseia por esse estado de espírito.
Logo percebe que essas tentações são apenas obstáculos à Compreensão e que, na verdade, não alcançou a Santidade. Consequentemente, empenha-se em distinguir entre o caminho certo e o errado (Maggdmagga nanadassana Visuddhi).

