Michael Beisert
Buda ensinou a Origem Dependente (paṭiccasamuppāda) com estes links no início: avijjā (ignorância) como condição, saṅkhāra (imaginação) surge; saṅkhāra como condição, viññaṇa (consciência) surge; viññaṇa como condição nāma-rūpa (mentalidade-materialidade) surge … seguem os demais itens da origem dependente.
Parece muito estranho que primeiro se tenha imaginação como condição e assim a consciência surge. Creio que para muitos o oposto faz mais sentido – consciência como condição e assim a imaginação surge. Mas, na verdade, o Buda sabia o que a ciência só descobriu no século XX, com base nos estudos de Benjamin Libet.
Libet descobriu que a decisão para agir ocorre no inconsciente antes de termos pensado em agir. Em outras palavras, nossas ações são decididas inconscientemente – com base em um “robô automático”. Isso fazia todo sentido nos tempos em que os seres humanos viviam em um ambiente perigoso – como nossos ancestrais – em que reagindo antes de saber aumentaria a chance de sobrevivência.
Para quem ainda não leu recomendo o link que explica os estudos de Libet:
Libet também descobriu que no intervalo inconsciente há uma pequena janela de oportunidade para evitar que a ação seja executada, e ele menciona que provavelmente com a devida atenção alguém seria capaz de realizar as ações com consciência.
Com base nos estudos de Libet a intenção de agir de fato surge antes da consciência, mas com a devida atenção pode-se decidir como agir conscientemente. Tudo isso confirma as descobertas do Buda expressas na Origem Dependente e a importância de sāti – atenção plena – como a qualidade mental chave a ser desenvolvida. Na prática de meditação ensinada pelo Buda a primeira qualidade mental a ser desenvolvida é justamente sāti – atenção plena, também conhecida como mindfulness.
Aprenda como cultivar a Atenção Plena (sāti)
Nota – explicando saṅkhāra:
O termo saṅkhāra, por aparecer em vários lugares diferentes nos textos em Pāli, pode ser facilmente mal interpretado. O Buda no segundo item dos doze ciclos da origem dependente usou saṅkhāra em um sentido especial – o “poder de inventar/imaginar/compor”, portanto, a ignorância (avijjā) condiciona o surgimento do poder de imaginar/inventar/compor (saṅkhāra), que então condiciona a consciência (viññaṇa) a funcionar como mente conhecedora de coisas, e continua na sequência nos demais 9 itens da origem dependente. Assim, neste contexto, o Buda usou saṅkhāra em um sentido específico.
Nos cinco agregados (khandhā): rupa-, vedanā-, saññā-, saṅkhāra– e viññaṇa-; saṅkhāra geralmente é mencionado como pensamentos e emoções.
L I N K S:
https://www.acessoaoinsight.net/arquivo_textos_theravada/meditacao_libet.php.html
https://www.acessoaoinsight.net/sati.php.html

