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O Fim do Sofrimento (dukkha) é agora

Posted on 22/11/202527/11/2025 by Edmir Ribeiro Terra

Ajahn Amaro

Podemos dizer que o retiro se encerra formalmente esta noite; este é o último dia. Mas o que realmente torna o dia de hoje especial? A mente cria o tempo, os cronogramas. Chegamos a acordos humanos. Dizemos “início”, “fim”. Todas essas são qualidades imputadas, determinadas, acordadas. Elas não têm existência em si mesmas.

Como disse o antigo MONGE Luang Por Chah: “As coisas deste mundo são meramente percepções de nossa própria criação. Depois de as estabelecermos, nos perdemos nelas, dando origem a todo tipo de problema e confusão.” Então dizemos: início de um retiro, fim de um retiro, sucesso, fracasso, recuperação, degeneração. Segunda-feira, terça-feira, quarta-feira, janeiro, fevereiro, março, abril. A mente rotula padrões particulares de experiência. Mas o Dhamma (Natureza, ensinamentos) está aqui e agora, independentemente desses rótulos.

Chamamos algo de fracasso e, então, percebemos que foi a melhor coisa que já nos aconteceu. Chamamos algo de sucesso, e então percebemos que foi a causa de intenso sofrimento. Assim, sucesso, fracasso, bom, ruim; o Dhamma está sempre presente, aqui e agora. O fim do dukkha é agora. Não está lá. Não é quando este retiro terminar. Não é quando EU tiver um tempo para mim mesmo. Não é quando meus joelhos pararem de doer. É agora. É sempre agora.

Mas a MENTE perde isso por causa de sua intoxicação por gostar e não gostar, pelo sucesso e pelo fracasso, pela competição, pela inveja, pelo medo, pelo desejo, pelo arrependimento, crítica, esperança. A lista continua. Se a Mente despertar para esta realidade presente, a plenitude, a paz, a liberdade, estão bem aqui. Não estão em algum outro lugar, em algum outro momento, quando eu me tornar outra coisa. O Dhamma é completo, perfeito e sempre presente. Aqui e agora. Sempre é, não pode deixar de ser.

Sentimos a força dessas compulsões: não gostar, temer, esperar, querer, arrepender-se, relembrar. Sentimos o chamado no coração. Mas esse chamado é como o vento nos galhos de uma árvore, o vento entre os dedos, o sol tocando nossa pele. É apenas uma impressão. Pode ser uma impressão muito convincente, mas é apenas uma impressão. Um sentimento no coração que diz: “Eu preciso, eu preciso, eu preciso, eu preciso. Mas eu preciso!” ou “Isso não é uma opinião. É um fato.” Naquele momento, é tão convincente. Mas se houver sabedoria, então a sabedoria nos dirá: “Sim, realmente parece um fato.” “Realmente parece que isso é horrível”, ou “… isso é maravilhoso”, “… isso é um desastre”, “… isso é uma grande bênção.”

Realmente parece assim. É um sentimento. Não pode ser mais do que um sentimento. A sabedoria sabe disso. Se você direcionar o olhar da sabedoria atenta e reflexiva para qualquer experiência – de forma constante e clara – todas se revelarão da mesma maneira. É apenas um sentimento, um chamado no coração. A força do desejo, da esperança, do arrependimento, da saudade, do ressentimento. É como o vento soprando do norte, do sul, do leste ou do oeste. É apenas a sensação do vento. O fim do sofrimento (dukkha) é agora.

À medida que a rotina muda e o padrão de atividades e percepções assume diferentes formas, surge uma oportunidade ideal para testar e desenvolver essa firmeza de atenção, essa firmeza da consciência plena. A mente consegue manter esse reconhecimento? São apenas as percepções mudando, nada mais. Meditação em grupo, atividade em grupo, ficar parado ou se movimentar. Podemos testar as habilidades que foram desenvolvidas. A mente consegue se manter firme, desperta e aberta enquanto as percepções variadas, coloridas e intensas a atravessam? Percepções de diferentes lugares, diferentes pessoas, interações. Percepções de responsabilidade, tomada de decisões, envolvimento físico, projetos, pessoas.

A mente consegue permanecer desperta, aberta, lúcida, à medida que as percepções se tornam mais variadas? Essa é a tarefa. Se praticarmos com habilidade, então teremos uma base sólida. Essa qualidade de consciência desperta, vijjā, é inabalável; é um alicerce na clareza, na abertura e na adaptabilidade. A mente não se deixa levar pelo medo da atividade nem pelo anseio por ela. Ela repousa no conhecimento da atividade, no conhecimento deste momento. Só isso.

Se praticarmos com habilidade, haverá lastro, firmeza, como as pedras no fundo de um navio, mantendo-o estável na água; o lastro que mantém o navio firme. Essa qualidade de vijjā, consciência desperta, é esse mesmo tipo de lastro, a fonte de firmeza; a capacidade de resistir aos empurrões e puxões de diferentes percepções e sentimentos, como um navio resiste aos empurrões e puxões das marés, das ondas e do vento. Se praticarmos com habilidade, conheceremos estas convenções: início, fim, recuo, sem recuo; segunda-feira, terça-feira, dia de lua cheia, dia seguinte, dia anterior.

A Mente sábia saberá que essas convenções são meramente criações nossas, nossos próprios acordos humanos, apenas para tornar as coisas mais convenientes. Só isso. Como uma nota de dinheiro: “Prometo pagar ao portador, mediante solicitação, a quantia de dez reais… vinte reais… cinquenta reais”. Este pedaço de papel estabelece um acordo, só isso. Concordamos em chamar hoje de dia da meia-lua. Chamamos de 30 de março. Chamamos de dia em que terminamos o retiro. Mas a mente que sabe que essas são meras convenções, acordos, designações, é a mente que não é limitada por esses acordos. Ela os conhece, os respeita, mas não é limitada por eles.

Então, pegamos algo simples como o dia da semana ou o início de um retiro. Podemos reconhecê-lo. Não há carga emocional em chamá-lo de quarta-feira. Não há carga emocional. E então podemos traduzir isso, usá-lo para observar as convenções de sucesso, fracasso, ganho, perda, felicidade, infelicidade, solidão, ocupação. Como poderiam não ser tão transparentes quanto qualquer outra percepção, qualquer outro acordo? Assim como a quarta-feira é um acordo vazio, transparente e insubstancial, também o são o sucesso, o fracasso, o ganho, a perda, o elogio e a crítica.

Ontem à noite sonhei que tinha sido nomeado Papa. Foi um sonho muito vívido. Muito surpreendente! Eu nem sou católico, nem cristão. Mesmo assim, me nomearam Papa. Certo. Então, a convenção do Papa, o que posso fazer com isso? Mudar algumas regras. Por que não? Os humanos podem concordar que podemos transformar um monge budista em Papa. É incomum, talvez, mas por que não? Simplesmente concordamos em fazer isso e fazemos. O que nos impede? É vazio. Papa, Abade, Chao Khun, homem, mulher, budista, muçulmano, cristão, humanista, professor, fracassado, criminoso, ganhador do Prêmio Nobel, terrorista, santo.

Todos esses rótulos parecem tão reais, tão importantes. Mas como algum deles poderia ser mais sólido ou substancial do que outro? São apenas acordos humanos. Católico, budista, Papa, humano, mulher, homem; essas são convenções de nossa própria criação. “Depois de estabelecê-las, nos perdemos nelas, dando origem a todo tipo de problema e confusão.” Sabemos que essas são convenções, vazias, intrinsecamente insubstanciais, como um pedaço de espuma, uma miragem, uma bolha; como um raio de sol entrando pela janela; há uma forma, mas nenhuma substância. Não há nada ali, nenhuma essência sólida. Quando vemos o mundo assim, o coração fica livre, estável, claro, invulnerável. Nada pode perturbá-lo.

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