Ajahn Jayasaro
Kamma (ou Karma) – ‘Kamma’ significa ação intencional
Pisar deliberadamente em uma formiga é mau karma. Fazer isso sem intenção não é mau kamma. Contar uma mentira deliberadamente é mau karma. Dizer algo falso, acreditando que seja verdade, não é. Tentar deliberadamente infligir sofrimento a alguém é mau karma. Ter um pensamento cruel que surge e desaparece na mente não é.
A ausência de consciência é uma área cinzenta. Considere alguém que dirige seu carro depois de beber álcool e atropela um cachorro. É verdade que essa pessoa não criou mau karma de matar deliberadamente outro ser vivo. No entanto, ela cria o mau karma de decidir dirigir sem estar em pleno domínio de suas faculdades, colocando assim em risco a si mesma e aos outros de forma imprudente.
O Buda ensinou que a essência do karma é a intenção. Quanto mais cultivamos uma consciência da intenção a cada momento, mais somos capazes de evitar o mau karma e criar bom karma. Quanto mais karma positivo cultivamos, mais leve e brilhante se torna nossa mente.
Quando a mente é suficientemente nutrida por bom karma, ela adquire a maturidade necessária para compreender plenamente a natureza da pessoa que presumimos ser a responsável por esse karma. É aqui que o caminho para a libertação se revela.
Karma Antigo (Vipāka)
“Todo ato de karma (ação volitiva), por menor que seja, tem consequências para o nosso bem-estar físico, moral e espiritual. O karma prejudicial, motivado pela impureza, leva a um aumento do sofrimento. O karma benéfico, motivado pela virtude, leva a uma diminuição do sofrimento e, em última instância, à libertação. Criamos quem somos no momento presente e no futuro com o karma que criamos.
Os resultados do karma que criamos no passado, tanto nesta vida quanto em vidas anteriores, são chamados de ‘vipāka‘. Muitas vezes, é referido informalmente como ‘karma antigo’. O Buda refutou veementemente a ideia de que nossas vidas são determinadas pelo karma antigo. Vipāka não é destino ou fatalidade. Se fosse, não haveria o Nobre Caminho Óctuplo, nem a Libertação, nem o Budismo. O karma antigo não determina nossas vidas, mas, até que realizemos os frutos da prática do Dhamma, ele as condiciona em certa medida.” Outro kamma (karma = sânscrito).
O kamma antigo pode ser visto claramente em nossas reações automáticas. Pessoas que alimentaram sua raiva, por exemplo, experimentarão a raiva como sua reação automática a certos gatilhos. Substituir uma reação automática de raiva por uma resposta consciente e livre de raiva não é fácil. Requer tempo, paciência e esforço constante. Mas é possível. Eventualmente, todos os obstáculos kármicos podem ser transcendidos por meio do treinamento budista. Essa convicção é central para nossa fé nas Três Joias do Budismo (Buddha, Dhamma e o Sangha).

