Luang Pu Mun Bhuridatto – Sween Lim Tan
As histórias sobre a comunicação com outros planos por Luang Pu Mun Bhuridatto estão entre os aspectos mais extraordinários de sua vida. A maioria desses relatos foi registrada por Luang Ta Maha Bua Ñāṇasampaṇṇo, que os ouviu diretamente de Luang Pu Mun durante ensinamentos de meditação.
Essa forma de comunicação não era feita através da fala humana comum. Luang Pu Mun se referia a ela como “a linguagem da mente” ou “linguagem do Dhamma”, que é muito mais rápida e sutil do que as palavras faladas.
1. Encontros e Ensinamentos com Nāgas
Durante seu thudong (peregrinação ascética) por florestas e montanhas — especialmente no nordeste e norte da Tailândia, como ao redor da Caverna de Chiang Dao ou ao longo do Rio Mekong — Luang Pu Mun frequentemente relatava que Nāgas o visitavam. O Nāga Curioso na Caverna de Chiang Dao
Enquanto estava hospedado em uma caverna, um líder Nāga de alta patente frequentemente trazia seguidores para observá-lo secretamente. De acordo com Luang Pu Mun, esses Nāgas eram orgulhosos e extremamente curiosos. Eles vinham para examinar se este monge realmente possuía virtude pura e forte poder meditativo.
Método de comunicação:
Luang Pu Mun enviava sua mente para fora para perguntar por que eles haviam vindo. O Nāga respondia instantaneamente através do pensamento. Ensinando o Dhamma:
Os Nāgas respeitavam profundamente sua calma e pureza, eventualmente pedindo que ele lhes ensinasse o Dhamma. Eles frequentemente perguntavam sobre disciplina moral (sīla) e os resultados do mérito (puñña).
Luang Pu Mun explicou:
Mesmo que os Nāgas possuam poderes sobrenaturais e longas vidas, eles ainda permanecem em um reino inferior ao reino humano porque não podem se ordenar como monges ou atingir estágios superiores de iluminação nessa forma.
Ao ouvir isso, o líder Nāga submeteu-se humildemente e jurou tornar-se protetor de Luang Pu Mun.
2. Divindades das Árvores Ouvindo o Dhamma à Noite
Rukkha Devas (divindades das árvores) e Bhummadevas (divindades da terra) frequentemente apareciam como grupos de seres radiantes vestidos com roupas brancas e imaculadas, às vezes brilhando com sua própria luz.
A Disciplina dos DevasLuang Pu Mun explicou que os devas mantêm uma disciplina muito rigorosa. Quando vinham ouvir o Dhamma, chegavam em grandes grupos organizados de acordo com sua hierarquia.
Sua aparência:Eles não caminhavam sobre a terra como humanos, mas deslizavam graciosamente pelo ar. Ao chegar, prestavam reverência três vezes e então permaneciam completamente imóveis, como estátuas.
Assuntos sobre os quais perguntavam:Eles frequentemente buscavam orientação sobre como manter a Atenção Plena enquanto desfrutavam dos prazeres celestiais. Luang Pu Mun os lembrava de não serem descuidados com seus méritos, pois quando estes se esgotassem, eles também deveriam falecer e renascer de acordo com o karma.
Quando os Devas Reclamaram de um Monge.
Uma história fascinante conta como os devas das árvores reclamaram a Luang Pu Mun sobre um de seus discípulos.
Disseram: “Venerável Senhor, aquele monge está sentado em meditação, mas sua mente não para de pensar em mulheres. O cheiro desses pensamentos é tão fétido que não podemos ficar aqui.”
Na manhã seguinte, Luang Pu Mun chamou o monge e o advertiu. O monge ficou chocado, sem entender como o mestre poderia saber de seus pensamentos.
3. O Mistério da “Linguagem da Mente”
Muitas pessoas se perguntavam qual idioma Luang Pu Mun usava ao se comunicar com os devas ou seres espirituais — tailandês, laosiano ou Pāli.
Sua explicação foi profunda: A mente não tem linguagem.
As palavras pertencem ao cérebro e à língua, mas o significado pertence à mente. Quando a mente se concentra profundamente em um único ponto, os pensamentos são transmitidos como imagens claras de significado, instantaneamente compreendidas por ambos os lados.
Velocidade da comunicação:
A comunicação mental é muito mais rápida do que a fala. Num único instante de reflexão, os complexos ensinamentos do Dhamma podem ser plenamente compreendidos.
4. Por que ele se comunicava com esses reinos?
Luang Pu Mun nunca fez isso para exibir poderes sobrenaturais. Seus motivos eram:
Compaixão por todos os seres: Humanos, devas e Nāgas são todos companheiros na jornada do nascimento, envelhecimento, doença e morte.
Construção de mérito espiritual: Ensinar o Dhamma a seres em outros reinos expande o poder da compaixão.
Harmonia com a natureza: Acredita-se que espíritos e devas locais existam nas profundezas das florestas. Comunicar-se e irradiar amor benevolente ajuda a garantir uma meditação pacífica, sem perturbações.
Reflexão de Luang Pu Mun
Luang Pu Mun frequentemente concluía essas histórias lembrando seus discípulos:
“Ver devas ou Nāgas não é tão importante quanto ver as impurezas dentro de sua própria mente.”
Ele usou essas experiências como ensinamentos hábeis para encorajar seus discípulos a observarem atentamente seus pensamentos, pois o mundo espiritual pode ver o estado de nossas mentes o tempo todo.

