Michael Beisert
Como o Buda encarava a mentira?
“Para a pessoa que transgride em uma coisa, eu lhes digo, não haverá nenhum mal que ela não possa cometer. Qual coisa? Isto: dizer uma mentira de forma deliberada.”
A definição: “E o que é a fala correta? Abster-se de mentir, de falar de forma divisiva, de falar de forma abusiva e de conversas ociosas: isso se chama fala correta.” — SN 45.8
Cinco chaves para a fala correta
“Monges, uma declaração dotada de cinco fatores é bem dita, não mal dita. É irrepreensível e isenta de falhas para pessoas sábias. Quais são os cinco?
É dita no momento certo. É dita com sinceridade. É dita com afeto. É dita com intenção benéfica. É dita com boa vontade.” — AN 5.198
O perigo da mentira “Para aquele que transgride em uma coisa, eu lhes digo, não há mal que não possa ser feito. Qual é essa coisa? Esta: contar uma mentira deliberada.”
A pessoa que mente, que transgride nessa única coisa, transcendendo a preocupação com o mundo exterior: não há mal que ela não possa fazer. — Itivutaka 25
Fale apenas palavras que não causem dano
“Deve-se falar apenas aquela palavra com a qual não se atormente nem prejudique os outros. Essa palavra é, de fato, bem dita. “Deve-se falar apenas palavras agradáveis, palavras que sejam aceitáveis (para os outros). O que se fala sem causar males aos outros é agradável.” — Therigata 21
Autopurificação através da fala bem escolhida
“E como alguém se purifica de quatro maneiras pela ação verbal?
“Há o caso em que uma certa pessoa, abandonando a fala falsa, ela se abstém da fala falsa. Quando é chamada a uma reunião municipal, uma reunião de grupo, uma reunião de seus parentes, de sua guilda ou da realeza, se lhe perguntam como testemunha: ‘Venha e diga, bom homem, o que você sabe’: Se não souber, diz: ‘Não sei’. Se souber, diz: ‘Sei’. Se não tiver visto, diz: ‘Não vi’.” Se ele viu, diz: “Eu vi”. Assim, ele não mente conscientemente por si mesmo, por outrem ou por qualquer recompensa. Abandonando a falsidade, ele se abstém da falsidade. Ele fala a verdade, se apega à verdade, é firme, confiável, não enganador do mundo.
“Abandonando a discórdia, ele se abstém da discórdia. O que ele ouviu aqui, não conta lá para não separar aquelas pessoas daqui. O que ele ouviu lá, não conta lá para não separar estas pessoas daquelas de lá. Assim, reconciliando os que estão divididos ou unindo os que estão unidos, ele ama a concórdia, se deleita na concórdia, desfruta da concórdia, fala coisas que criam concórdia.”
“Abandonando a discórdia, ele se abstém da discórdia. O que ele ouviu aqui, não conta lá para não separar estas pessoas daquelas de lá. Assim, reconciliando os que estão divididos ou unindo os que estão unidos, ele ama a concórdia, se deleita na concórdia, desfruta da concórdia, fala coisas que criam concórdia.” “Abandonando a linguagem abusiva, ele se abstém da linguagem abusiva. Ele profere palavras que são suaves ao ouvido, que são afetuosas, que tocam o coração, que são educadas, atraentes e agradáveis às pessoas em geral.
Abandonando a conversa fiada, ele se abstém da conversa fiada. Ele fala no momento certo, fala o que é factual, o que está de acordo com o objetivo, o Dhamma e o Vinaya. Ele profere palavras dignas de serem valorizadas, oportunas, razoáveis, circunscritas e conectadas ao objetivo.
É assim que alguém se purifica de quatro maneiras pela ação verbal.” — AN 10.176
Sua relação com os outros fatores do Nobre Caminho
“E como a visão correta é a precursora? Discernimos a fala errada como fala errada e a fala correta como fala correta. E o que é a fala errada? Mentira, fofoca divisiva, discurso abusivo e conversa fiada. Isso é fala errada…
“Procuramos abandonar a fala errada e entrar na fala correta: este é o nosso esforço correto. Temos a atenção de abandonar a fala errada e entrar e permanecer na fala correta: esta é a nossa atenção plena correta. Assim, essas três qualidades — visão correta, esforço correto e atenção plena correta — correm e circulam em torno da fala correta.” — MN 117
Os critérios para decidir o que vale a pena dizer
[1] “No caso de palavras que o Tathagata sabe serem inverídicas, falsas, prejudiciais (ou: não relacionadas com o objetivo), desagradáveis e indesejáveis para os outros, ele não as diz.
” [2] “No caso de palavras que o Tathagata sabe serem factuais, verdadeiras, prejudiciais, desagradáveis e que não agradam aos outros, ele não as profere.
[3] “No caso de palavras que o Tathagata sabe serem factuais, verdadeiras, benéficas, mas desagradáveis e que não agradam aos outros, ele tem discernimento quanto ao momento apropriado para proferi-las.
[4] “No caso de palavras que o Tathagata sabe serem inverídicas, falsas, prejudiciais, mas agradáveis e que agradam aos outros, ele não as profere.
[5] “No caso de palavras que o Tathagata sabe serem factuais, verdadeiras, prejudiciais, mas agradáveis e que agradam aos outros, ele não as profere.
[6] “No caso de palavras que o Tathagata sabe serem factuais, verdadeiras, benéficas, afetuosas e agradáveis aos outros, ele tem um senso do momento apropriado para dizê-las. Por quê? Porque o Tathagata tem compaixão pelos seres vivos.” — Majjhima Nikaya 58

