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Arte da conversa – Ensinamento de Buda

Posted on 14/08/202614/08/2026 by Edmir Ribeiro Terra

Aṅguttara Nikāya (AN 3:68, 10:69, 10:70)

Sobre a Arte da Discussão — Um Ensinamento do Buda


1. Sobre o Passado, Presente e Futuro

Pode-se falar sobre o passado, dizendo: “Assim isso foi.”
Pode-se falar sobre o futuro, dizendo: “Assim iss será.”
Pode-se falar sobre o presente, dizendo: “Assim é isso, agora.”


2. Quatro Tipos de Perguntas — Quatro Respostas Adequadas

Monges, é pela maneira como alguém participa de uma CONVERSA que se pode reconhecer se é uma pessoa com quem vale ou não vale a pena conversar.

Uma pessoa não é adequada para o diálogo se, ao ser questionada:

  • Não dá uma resposta categórica a uma pergunta que exige uma resposta categórica;
  • Não dá uma resposta analítica a uma pergunta que exige análise;
  • Não apresenta uma contrapergunta quando a pergunta exige isso;
  • Não deixa de lado uma pergunta que deve ser deixada de lado.

Uma pessoa é adequada para o diálogo se, ao ser questionada:

  • Dá uma resposta categórica a uma pergunta que exige uma resposta categórica;
  • Dá uma resposta analítica a uma pergunta que exige análise;
  • Apresenta uma contrapergunta quando a pergunta exige isso;
  • Deixa de lado uma pergunta que deve ser deixada de lado.

3. Quatro Critérios para uma Boa Discussão

Uma pessoa não é adequada para o diálogo se, ao ser questionada:

  • Não se atém ao que é possível e impossível;
  • Não se atém às premissas no início da conversa;
  • Não se atém aos ensinamentos reconhecidos como verdadeiros;
  • Não se atém ao procedimento padrão de uma conversa.

Uma pessoa é adequada para CONVERSAR se, ao ser questionada:

  • Se atém ao que é possível e impossível;
  • Se atém às premissas acordadas no início;
  • Se atém aos ensinamentos reconhecidos como verdadeiros;
  • Se atém ao procedimento padrão (respeito, paciência) da conversa.

4. Como Reconhecer alguém com quem vale a pena Conversar

Uma pessoa não vale a pena como interlocutora se, ao ser questionada:

  • Divaga de um assunto para outro, sem finalizar;
  • Desvia a discussão do tema central iniciado;
  • Demonstra raiva, aversão e se fecha em mau humor.

Uma pessoa vale a pena como interlocutora se, ao ser questionada:

  • Não divaga no assunto;
  • Não desvia do tema inicial da conversa;
  • Não demonstra raiva, aversão nem mau humor.

5. Sobre a Humildade no Debate

Uma pessoa não vale a pena como interlocutora se, ao ser questionada:

  • Menospreza o outro;
  • O esmaga com palavras;
  • O ridicularizacom palavras;
  • Apega-se a pequenos erros do outro.

Uma pessoa vale a pena como interlocutora se, ao ser questionada:

  • Não menospreza o outro;
  • Não esmaga com palavras rudes;
  • Não ridiculariza;
  • Não se apega a pequenos erros.

6. O Propósito da Discussão

Monges, é pela maneira como alguém participa de uma CONVERSA que se pode saber se essa pessoa está verdadeiramente se aproximando do ensinamento ou não.

  • Aquele que presta atenção está se aproximando.
  • Aquele que não presta atenção não está se aproximando.

Ao se aproximar com atenção, a pessoa:

  • Conhece claramente uma qualidade;
  • Compreende uma qualidade;
  • Abandona uma qualidade;
  • Realiza uma qualidade.

E, ao fazer isso, ela alcança a verdadeira Libertação.

Pois esse é o propósito da discussão, do aconselhamento, de se aproximar e de prestar atenção: a Libertação da mente através da ausência de apego.


7. Versos Finais — O Modo dos Nobres

Aqueles que discutem quando irritados,
dogmáticos, arrogantes,
seguindo o que não é o caminho dos nobres,
buscando expor as falhas uns dos outros,
deleitam-se com as palavras mal ditas,
com os deslizes, tropeços e derrotas do outro.

Os nobres não falam dessa maneira.

Se pessoas sábias, conhecendo o momento certo, desejam falar,
então — palavras ligadas à justiça,
seguindo os caminhos dos nobres —
é isso que os iluminados falam:
sem raiva ou arrogância, com uma mente que não ferve,
sem veemência, sem rancor.

Sem inveja,
falam a partir do conhecimento correto.
Deleitam-se com o que é bem dito
e não menosprezam o que não o é.

Não estudam para encontrar falhas,
não se apegam a pequenos erros,
não rebaixam, não esmagam,
não proferem palavras aleatórias.

Com o propósito do conhecimento,
com o propósito de inspirar clara confiança,
aconselhamento que é verdadeiro:

É assim que os nobres aconselham.
Esse é o aconselhamento dos nobres.
Sabendo disso, os inteligentes
devem aconselhar sem arrogância.

Kathāvatthu Sutta — Os Dez Assuntos de Conversa (AN 10.69)


Assim ouvi. Certa vez, o Abençoado estava hospedado em Sāvatthī, no Bosque de Jeta, no mosteiro de Anāthapiṇḍika. Naquela ocasião, após a refeição matinal, ao retornarem da ronda de esmolas, um grande número de monges reuniu-se no salão de assembleias. E ali permaneceram, envolvidos em diversos tipos de conversas fúteis:

— conversas sobre reis, ladrões e ministros da política;
— sobre exércitos, alarmes, batalhas e guerras;
— sobre comida e bebidas;
— sobre vestimentas, móveis, grinaldas e perfumes;
— sobre parentes, veículos, vilarejos, cidades e campos;
— sobre mulheres, musas e heróis;
— fofocas de rua e de atividades coletivas;
— histórias sobre os mortos;
— especulações sobre a criação do Mundo e do mar;
— discussões sobre se as coisas existem ou não.

Ao entardecer, o Abençoado levantou-se de seu retiro solitário e dirigiu-se ao salão de reuniões. Chegando, sentou-se no assento que lhe fora preparado e perguntou:

— “Sobre qual assunto de conversa vocês estavam reunidos? Em meio a qual conversa eu os interrompi?”
— “Senhor, após a refeição matinal, ao retornarmos da ronda de esmolas, reunimo-nos aqui e nos engajamos em muitos tipos de conversas fúteis…” — e repetiram a longa lista.

O Abençoado, então, lhes disse:

— “Não é adequado, monges, que filhos de boas famílias, tendo deixado o lar pela vida santa movidos pela FÉ, se entreguem a tais assuntos de conversa.

Existem, monges, DEZ assuntos de conversa apropriados. Quais são os dez ASSUNTOS?

  1. Conversas sobre modéstia e viver uma vida simples(Apicchakathā);
  2. Conversas sobre contentamento e viver com o que se tem(Santuṭṭhikathā);
  3. Conversas sobre reclusão e estar em lugars quietos(Pavivekakathā);
  4. Conversas sobre Desapego e afastar-se de confusões(Asaṃsaggakathā);
  5. Conversas sobre o despertar do esforço e diligência (Vīriyārambhakathā);
  6. Conversas sobre virtude, conduta moral e pureza das ações(Sīlakathā);
  7. Conversas sobre os benefícios da concentração (Samādhikathā);
  8. Conversas sobre discernimento e saber ver como as coisas realmente são(Paññākathā);
  9. Conversas sobre a liberdade das impurezas e grilhões (Vimuttikathā);
  10. Conversas sobre o conhecimento e a visão da libertação (Vimuttiñāṇadassanakathā).

Se vocês se dedicassem a esses dez assuntos de conversa — que são genuínos, elevados e conducentes ao Despertar —, superariam em esplendor até mesmo o sol e a lua, tão grandiosos e poderosos quanto são.
Quanto mais, então, superariam os errantes crentes de outras seitas?


Kathāvatthu Sutta — Os Dez Fundamentos para o Louvor (AN 10.70)


Assim ouvi. Certa vez, o Abençoado estava hospedado em Sāvatthī, no Bosque de Jeta, no mosteiro de Anāthapiṇḍika.

Naquela ocasião, após a refeição matinal, ao retornarem da ronda de esmolas, um grande número de monges reuniu-se no salão de assembleias. E ali permaneceram, envolvidos em diversos tipos de conversas fúteis:

— conversas sobre reis, ladrões e ministros;
— sobre exércitos, alarmes e batalhas;
— sobre comida e bebida;
— sobre vestimentas, móveis, grinaldas e perfumes;
— sobre parentes, veículos, vilarejos, cidades e campos;
— sobre mulheres e heróis;
— fofocas de rua e de atividades coletivas;
— histórias sobre os mortos;
— especulações sobre a criação do Mundo e do mar;
— discussões sobre se as coisas existem ou não.

Ao entardecer, o Abençoado levantou-se de seu retiro solitário e dirigiu-se ao salão de reuniões. Chegando, sentou-se no assento que lhe fora preparado e perguntou:

— “Sobre qual assunto de conversa vocês estavam reunidos? Em meio a qual conversa eu os interrompi?”

Os monges responderam repetindo a longa lista de assuntos fúteis. O Abençoado, então, lhes disse:

— “Não é adequado, monges, que filhos de boas famílias, tendo deixado o lar pela vida santa movidos pela fé, se entreguem a tais assuntos de conversa.

Existem, monges, dez fundamentos para o louvor. Quais são os dez FUNDAMENTOS?

Há o caso em que um monge:

  1. É ele próprio modesto e estimula conversas sobre a modéstia e viver com pouco.
  2. É ele próprio contente e estimula conversas sobre o contentamento com o que se tem.
  3. Vive em reclusão e estimula conversas sobre a reclusão e locais calmos.
  4. Não se envolve em excesso com o mundo e estimula conversas sobre o desapego.
  5. Tem a energia despertada e estimula conversas sobre o despertar da energia.
  6. É pleno em virtude e estimula conversas sobre a plenitude na virtude e diligência.
  7. É pleno em concentração e estimula conversas sobre a plenitude na Concentração.
  8. Pleno em discernimento e estimula conversas sobre a plenitude no discernimento das coisas como são.
  9. Pleno em libertação e estimula conversas sobre a plenitude na libertação.
  10. Pleno no conhecimento e visão da libertação e estimula conversas sobre a plenitude nesse conhecimento e visão.

Estes então, monges, são os dez fundamentos para o louvor.

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