Nandana Sutta (SN 4:8)
Neste discurso, Māra1 e o Buda falam línguas diferentes. Por “aquisições”, Māra refere-se à família, terras e aos bens materiais de alguém. O Buda usa a mesma palavra para se referir a qualquer senso de posse — seja posse física ou Mental.
Ouvi dizer que, certa vez, o Abençoado estava hospedado perto de Sāvatthī, no Bosque de Jeta, no mosteiro de Anāthapiṇḍika. Então, Māra, o Maligno, aproximou-se do Abençoado e recitou este verso em sua presença:
“Aqueles que têm filhos alegram-se por causa de seus filhos.
Aqueles que têm gado alegram-se por causa de suas vacas.
O deleite de uma pessoa provém das aquisições, pois quem não tem aquisições não se alegra.”
O Buda assim replicou:
“Aqueles que têm filhos sofrem por causa de seus filhos.
Aqueles que têm gado sofrem por causa de suas vacas.
O sofrimento de uma pessoa provém das aquisições, pois quem não tem aquisições não sofre.”
Então, Māra, o Maligno — triste e abatido pela resposta ao perceber: “O Abençoado me conhece; o Bem-Vindo me conhece” — desapareceu ali mesmo.
- Mara é a figura da tradição budista que personifica a morte, o desejo e a ilusão — o “tentador” que tenta manter os seres aprisionados ao sofrimento e que, como é notório, investiu contra o Buda na noite de seu despertar. Ele é melhor compreendido não como um demônio cósmico, mas como a personificação das próprias forças — dentro e ao redor de nós — que resistem ao Despertar. ↩︎

