Editoria
Devemos abandonar o Dhamma porque um membro da Sangha comete um erro? Esta é uma pergunta que muitas pessoas fazem hoje em dia:
“Se um monge faz algo errado, isso significa que o Budismo está errado?”
A resposta não deve vir da emoção, mas dos ensinamentos do Buda. O Buda disse durante muito tempo de sua vida:
“Aquele que vê o Dhamma, vê a mim; aquele que vê a mim, vê o Dhamma.”
Isso nos lembra que o Buda nos orientou a não depositar nossa fé em indivíduos, mas no Dhamma — a verdade atemporal. Antes de seu Parinibbāna (abandonar o corpo terreno), o Buda também declarou:
“O Dhamma e o Vinaya que ensinei e estabeleci serão o seu Mestre depois que eu partir.”
Portanto, nosso verdadeiro guia não é nenhum indivíduo, mas o Dhamma (ensinamentos) e o Vinaya (código budista a ser observado pelos monges budistas). Um monge, como qualquer ser humano, pode cometer erros. A conduta errada nunca deve ser ignorada ou justificada; ela deve ser reconhecida como errada. No entanto, o erro de um indivíduo não torna falsos os ensinamentos do Buda.
Se um professor se comporta mal, a educação não perde o seu valor. Se um médico comete um erro, a medicina não se torna falsa. Da mesma forma, se um monge age de forma errada, o Dhamma permanece verdadeiro. Nossa Fé (saddhanusari) deve estar firmemente enraizada no Buda, no Dhamma e na Nobre Sangha (grupo de monges ou de seguidores leigos que praticam o Budismo), e não nas imperfeições dos indivíduos.
O mundo não precisa de menos Dhamma — ele precisa de pessoas que o compreendam corretamente e vivam de acordo com ele. As pessoas podem falhar. O Dhamma, não falha.
Vamos preservar o Dhamma, praticá-lo sinceramente e julgar os ensinamentos pela sua verdade — não pelas falhas dos indivíduos. Se esta mensagem ressoa com você, por favor, compartilhe-a para que outros também possam refletir sobre ela. Tente ficar satisfeito com os ensinamentos (SN 16.1)
Para o Bem-Estar e a Felicidade de Muitos
O Buda incentivou seus discípulos a dedicarem suas vidas ao bem-estar e à felicidade de todos os seres. A expressão atemporal em Pāli “Bahujanahitāya Bahujanasukhāya” significa “Para o bem-estar de muitos, para a felicidade de muitos”. Ela nos recorda que a verdadeira compaixão se expressa por meio do serviço altruísta, da bondade e do compartilhamento do Dhamma para o benefício dos outros seres humanos.
Que possamos nos empenhar em viver com sabedoria, compaixão e bondade amorosa, trabalhando não apenas pelo nosso próprio bem-estar, mas também pela paz, pelo bem-estar e pela felicidade de todos os seres. Podemos fazer isso com um sentimento de satisfação pelo que temos e assim espalhar o Dhamma.
Satisfação – Santutta Suuta (SN 16.1)
Em Savatthi. “Bhikkhus, Kassapa está satisfeito com qualquer tipo de manto e recomenda a satisfação com qualquer tipo de manto, e ele não se dedica a uma busca errônea naquilo que não é apropriado, devido a um manto. Se ele não obtém um manto ele não fica agitado, e se ele o obtém, ele o usa sem ficar apegado a isso, sem ficar apaixonado por isso, sem ficar cegamente absorto nisso, vendo o perigo nisso, compreendendo a escapatória.
“Bhikkhus, o monge Kassapa está satisfeito com qualquer tipo de comida esmolada … qualquer tipo de moradia … qualquer tipo de medicamentos, e se ele os obtém, ele os usa sem ficar apegado a isso, sem ficar apaixonado por isso, sem ficar cegamente absorto nisso, vendo o perigo nisso, compreendendo a escapatória.
“Portanto, bhikkhus (monges), vocês deveriam treinar assim: ‘Nós estaremos satisfeitos com qualquer tipo de manto, nós falaremos elogiando a satisfação com qualquer tipo de manto, e não nos dedicaremos a uma busca errônea naquilo que não é apropriado, devido a um manto. Se não obtivermos um manto não ficaremos agitados, e se o obtivermos, o usaremos sem ficarmos apegados a isso, sem ficarmos apaixonados por isso, sem ficarmos cegamente absortos nisso, vendo o perigo nisso, compreendendo a escapatória.
“’Nós estaremos satisfeitos com qualquer tipo de comida esmolada … qualquer tipo de moradia … qualquer tipo de medicamentos … e se os obtivermos, deles faremos uso sem ficarmos apegados a isso, sem ficarmos apaixonados por isso, sem ficarmos cegamente absortos nisso, vendo o perigo nisso, compreendendo a escapatória.
“Bhikkhus, eu os exortarei com o exemplo do monge Kassapa ou alguém semelhante a Kassapa. Sendo exortados, vocês assim deveriam praticar.”

