Ajahn Munindo
Dhammapada – Versos 82, 173, 186-187, 258
(Verso 14) Assim como a chuva não penetra numa casa bem coberta de colmo, também a paixão jamais penetra em uma Mente bem vigiada.
(Verso 14) Assim como a chuva não consegue trespassar um telhado bem construído também a luxúria não consegue penetrar uma Mente evoluída.
Comentário – Agimos deforma anos protegermos dos elementos da chuva e do vento. Através de uma reflexão sábia, agimos de forma a nos protegermos das paixões desenfreadas. Este é o treino do coração. Abordar habilmente os estragos provocados pela avareza e pela má vontade é um aspecto importante da Ação Correta. Não se trata de evitar as paixões e nem de indulgenciarmos nelas. Busquem o caminho do meio. (Ajhan Munindo)
(Verso 82) Ao ouvir o Ensinamento, os sábios tornam-se naturalmente purificados, tal como um lago profundo, claro e sereno.
(Verso 82) Ao ouvir o ensinamento (Dhamma), o coração do sábio fica sereno como um lago, límpido, calmo e profundo.
Comentários – Podemos pensar: ‘Se o Buddha estivesse aqui hoje para me ensinar eu também me Iluminaria’. Porém, na época do Buddha, foram muitos os que o encontraram, que o escutaram e que viveram com ele, mas que não realizaram a verdade por ele transmitida. Poucos conseguiram atingir a Iluminação. Seu atendente Ananda (que era seu primo direto) também não conseguiu se Iluminar. No final da sua vida um monge perguntou ao Buddha quem tomaria o seu lugar e este respondeu que seria o Dhamma. Numa ocasião anterior ele havia ensinado que reconhecer o Dhamma é o mesmo que reconhecer o Buddha.
Ouvir o Dhamma é estar completamente presente e contemplar sabiamente o que está a acontecer aqui e agora. Não precisamos de nos martirizar por não podermos ouvir o Buddha nos falar diretamente. Aprendemos a ser mais receptivos à vida.(Ajhan Munindo)
(Verso 173) Ele, que por boas ações compensa o mal que fez, ilumina este mundo como a lua descoberta de nuvens.
(Verso 173) Aquele que transforma hábitos antigos e desregrados em atos renovados e benéficos, ilumina o mundo, tal lua que brilha descoberta de nuvens.
Comentários – A escuridão do mundo provém de hábitos de rejeição e de indulgência. Atos sadios trazem à tona a luz interior. Ter atenção aos hábitos antigos e descuidados, com a atitude correta, na hora certa, livres de julgamentos e com consciência, leva à transformação. Não temos de nos livrar de nada. Não temos nada de mal. Memórias penosas e sensações dolorosas não têm de se transformar em sofrimento. Com a devida atenção a Luz aumentará.
(Ajhan Munindo)
(Versos 186-187) Não há desejos sensuais satisfatórios, mesmo que chovam moedas de ouro. Porque os prazeres sensuais dão pouca satisfação e muita dor. Tendo entendido isso, o homem sábio nem mesmo nos prazeres celestiais ele encontra deleite. O discípulo do Buddha Supremo deleita-se na destruição do desejo.
(Versos 186-187) Não existe contentamento nos prazeres sensuais, nem que chovam moedas de ouro. Sabendo disto, o sábio discípulo do Buddha nem nos prazeres celestiais se deleita, mas na extinção do desejo, aí sim, ele encontra alegria.
Comentários – Será que o que estou fazendo com a minha vida está me proporcionando aquilo que procuro? De tempos em tempos somos bem sucedidos na gratificação dos nossos desejos. Porém, felicidade duradoura provém somente de estarmos livres do irrequietismo do querer. Se fizermos as perguntas certas na altura certa, uma perspectiva radicalmente diferente será revelada: o caminho do contentamento leva-nos à interiorização, não à exteriorização. Ao invés de seguirmos o impulso do ‘quero mais’ podemos olhar diretamente para o próprio querer. E por um momento o impulso do desejo cessa. Conseguimos assim perceber um pouco melhor o que significa ser um discípulo do Buddha.
(Ajhan Munindo)
(Verso 258) Ninguém é sábio por falar muito. Aquele que é pacífico, amigável e sem medo é chamado de sábio.
(Verso 258) Um homem não é sábio por falar muito.
Aquele que é seguro de si, desprovido de ódio e destemido, esse sim é chamado de Sábio.
Comentários – Debatermo-nos para sermos pacíficos e sábios provoca muitas vezes agitação; pelo contrário, se cuidadosamente permitirmos o cessar da atividade do coração e da mente, tudo se acalma naturalmente. Não nos tornamos sábios se as nossas ações forem catalisadas pelo hábito de ir atrás daquilo que gostamos. Quando sofremos dor e desapontamento podemos aprender a lidar com isso com boa vontade e consciência, o que resultará em compreensão. Quando felicidade e deleite surgem, somos refrescados e renovados pela nossa experiência sem nos perdermos na emoção. Animosidade e medo não são necessariamente obstáculos. Eles podem ser nossos professores apontando para um modo de vida mais sábio e aberto. (Ajhan Munindo)

