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Imagem gerada por IA.

Gotas do Dhammapada

Posted on 03/06/202603/06/2026 by Edmir Ribeiro Terra

Buddharakkhita/Ajahn Munindo

Dhammapada 6, 130, 134, 162, 163, 184, 262, 263

(Verso 6) Há aqueles que não percebem que um dia todos nós morreremos. Mas aqueles que percebem isso resolvem as suas desavenças. (Buddharakkhita)

(Verso 6) Aqueles que são disruptivos esquecem-se que todos morremos; Para os sábios, que refletem acerca desse fato, não há disputas. (Ajahn Munindo)

(Comentários) É sábio refletir acerca da morte e do fato de que todos morreremos. Se negarmos a realidade consciente da nossa mortalidade, o medo desta permanece escondido. Se evitarmos ser conscientes da realidade a nossa vivacidade diminui e a confusão aumenta.Com o cultivar da consciência acerca da morte (maranasati) descobrimos que, consoante o nosso grau de aceitação da realidade, existe um aumento correspondente de clareza e contentamento. Este é o contentamento que leva a uma paz cheia de valor.

(Verso 130) Todos tremem diante da violência, a vida é querida a todos. Colocando-se no lugar do outro, não se deve matar, nem levar alguém a matar.

(Verso 130) Quando temos empatia para com os outros vemos que todos os seres amam a vida e temem a morte. Sabendo isso, não atacamos nem provocamos ataques. (Ajahn Munindo)

(Comentários) Estar receptivo aos outros traz benefícios para nós próprios. Ao estudarmos os nossos corações e as nossas mentes geramos benefícios para os outros. O Dhamma ensina-nos a praticar em ambos os níveis. Num cultivamos a introspecção que desfaz ideias muito enraizadas acerca do ‘eu’ e dos ‘outros’. Esta é a nossa prática formal. Enquanto isso a nossa prática do dia-a-dia faz-nos aceitar a relativa validade da ideia do ‘eu’ e dos ‘outros’, de forma a que possamos cultivar compaixão e gentileza. A empatia é companheira da introspecção e ajuda a manter a prática em equilíbrio.

(VERSO 134) Se, como um gongo quebrado, a pessoa silenciar, aproxima-se do Nibbāna , porque nela já não mora a vingança.

(Verso 134) Se alguém te falar rudemente mantém-te silencioso como um gongo partido; a ausência de retaliações é sinal de liberdade. (Ajahn Munindo)

(Comentários) Quando somos injustamente criticados pode ser difícil controlar os ímpetos de retaliação. Reprimir emoções fortes para um nível inconsciente não ajuda. Prática significa encontrar o espaço dentro de nós próprios em que podemos experienciar o que sentimos, sem nos tornarmos nesses sentimentos. Requer especial habilidade. Estejam atentos a qualquer voz que vos tente dar o sermão ‘Não devias ser assim, já devias estar melhor a esta altura’.

Tomamos conhecimento do fato das coisas tal como elas são neste momento. Aceitamos conscientemente a realidade presente, conhecendo-a tal como ela é, sem nos identificarmos nem resistirmos. Assim, a energia das nossas paixões pode alimentar o processo de purificação, queimando a poluição ao invés de nos queimamos com auto-criticismo.

(Verso 162) Assim como uma trepadeira estrangula a árvore onde cresce, assim também, um homem depravado se prejudica a si mesmo como só um inimigo poderia desejar fazer.

(Verso 163) Pessoas dedicadas a fazer o mal prejudicam-se a elas próprias como se fossem os seus piores inimigos.
Elas são como trepadeiras que estrangulam as árvores que as suportam. (Ajahn Munindo)

(Comentários) Este verso refere-se a um monge que tentou por três vezes matar o Buddha. Eventualmente as suas más ações contribuíram para a sua própria morte. Quanto traímos o compromisso do nosso coração para com a realidade, lenta mas seguramente, morremos longe da luz da verdade e afundamo-nos na escuridão. As trepadeiras vivem em árvores grandes e bonitas e por vezes sufocam-nas até à morte. Podemos tomar refúgio no Buddha e ainda assim sermos possuídos por ataques de raiva. Horas, dias e até mesmo anos passam, enquanto tentamos justificar as nossas dolorosas acções físicas e verbais. Quando vemos a realidade das nossas acções, uma noção sadia de remorso surge e procuramos genuinamente desistir. A ação correta é a consequência natural.

(Verso 184) Permanecer paciente é a maior austeridade. “Nibbāna é supremo”, dizem os Buddhas. Não se é um verdadeiro monge quando se prejudica outra pessoa, nem um verdadeiro renunciante quando se oprime os outros.

(Verso 184) Um renunciante não oprime ninguém. Dedicação paciente é o verdadeiro ascetismo. Libertação profunda, dizem os Buddhas, é o objetivo supremo. (Ajahn Munindo)

(Comentários) O Buddha encoraja-nos, enquanto progredimos no nosso caminho em direção ao objetivo, a não nos esquecermos do âmbito dos relacionamentos. O cultivo de mettā ensina-nos a incluir todos os seres no nosso gentil coração. Por vezes sentimo-nos capazes de ser gentis para com os outros, mas não para connosco. Se tivermos esta dificuldade, passamos a ter infinito carinho para com o lutador – nós próprios. Camadas de auto julgamento, ódio e auto rejeição requerem que pratiquemos com empenho paciente – não com um empenho amargurado. Paciência é uma qualidade essencial para aqueles que percorrem o caminho. E de forma alguma esta virtude essencial pode ser cultivada enquanto nos divertimos. Portanto, quanto nos debatermos com algo, apercebamo-nos que esta é a perfeita situação, única, para desenvolver esta profunda qualidade.

(Verso 262) Não é por mera eloquência nem por beleza de forma que um homem se realiza, se ele for ciumento, egoísta e traiçoeiro.
(Verso 263) Mas aquele no qual estes defeitos são totalmente destruídos, desenraizados e extintos, e que deitou fora o ódio – esse sábio é verdadeiramente realizado.

(Verso 262-263) Aqueles que são invejosos, egoístas e manipuladores, ainda que tenham boa aparência e um discurso eloquente, não possuem realização.
Mas aqueles que se libertaram das suas faltas e alcançaram sabedoria são verdadeiramente realizados.

(Comentários) Precisamos de relembrar que a maneira como as coisas parecem não corresponde necessariamente a como elas ‘são’. Se ouvirmos com o coração, enquanto alguém fala, em vez de ouvirmos só com os ouvidos, ouviremos algo bastante diferente. Quando vemos os outros a partir de um ponto central interior de quietude, vemos muito mais do que aquilo que os nossos olhos vêm. (Ajahn Munindo)

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