Skip to content
Menu
Theravada
  • Início
  • News
  • Fundamentos
  • Livros
  • Cânticos
  • Galeria
  • Links
  • Dana
  • Fotos
    • Monges
    • Selos
    • Mosteiros
  • Sobre
Theravada
Imagem gerada por IA.

Gotas do Dhammapada

Posted on 30/05/202630/05/2026 by Edmir Ribeiro Terra

Ajahn Munindo

(Verso 8) Assim como um vento tempestuoso não move uma montanha rochosa, também aquele que contempla as imperfeições do mundo, desenvolvendo FÉ e energia, não é movido por Māra.

Māra é a manifestação da não-iluminação, a força motora da negação. Māra é a negação da realidade e expressa-se através de actos compulsivos, da insensibilidade e do ressentimento. O nosso mosteiro na área rural de Northumberland é por vezes acossado por ventos que podem ser assustadores, mas isto não é nada comparado com a ameaça imposta pelas forças de Māra. Se tivermos de resistir às investidas dos nossos hábitos descuidados, devemos estabelecer firmemente a nossa contemplação na consciência do corpo, com fé e com energia. É a capacidade e a vontade de voltar, uma e outra vez, à nossa prática baseada no corpo, relembrando a determinação de viver de uma forma que conduza à confiança impessoal que sustem o nosso interesse em descobrir a verdade. Isto tem o poder de nos tornar inabaláveis.

(Versos 87-88) Tendo a libertação como meta o sábio abandona a escuridão e abraça a luz deixando a mesquinha segurança para trás e procura a libertação dos apegos.
Procurar tal libertação é difícil e raro, ainda assim o sábio buscá-la-á, apartando-se de obstruções, purificando coração e mente.

O Buddha oferece imagens que ilustram a meta, elevando-nos e apoiando-nos nos nossos esforços em abrir mão daquilo que nos obstrui e limita. Se no agarrarmos com demasiada firmeza às imagens, podemos perder de vista o elemento do ‘momento presente’ do caminho. Ao invés de verdadeiramente realizarmos a prática, imaginamo-la. Se não conseguirmos dar a devida ênfase ao objetivo, podemos perder-nos nas distrações dos objetos dos sentidos – agradáveis e desagradáveis. A busca da verdadeira liberdade é difícil, mas considerem quanto sofrimento surge se não praticamos. Refletindo com sabedoria descobri- mos que conseguimos suportar os tempos difíceis e nebulosos. Quanto a luz retorna, acarinhamo-la e descobrirmos como amar plenamente a verdade.

(Verso 58-59) Tal como um maravilhoso Lótus de suave aroma pode crescer no meio da imundicie, a irradiação de um verdadeiro discípulo do Buddha sobrepõe-se às escuras sombras provenientes da ignorância.

Temos tendência para ver as coisas de que não gostamos em nós e nos outros como obstáculos à nossa felicidade: ‘Quão radiante, preenchido e aceite eu seria se não tivesse todas estas limitações!’ Mas tudo o que experienciamos pode ser virado a nosso favor e nutrir o crescimento em direção ao que é inerente e infinitamente maravilhoso. Tudo o que é injusto, indesejável e insensato nas nossas vidas e tudo aquilo a que resistimos e que rejeitamos, podes era lama do feiopântano onde as lindas flores de Lótus criam raízes e se desenvolvem.

(Verso 78) Não procurem a companhia de amigos alienados; consciencializem-se de companhias degeneradas. Procurem e desfrutem da companhia de verdadeiros amigos, aqueles que apoiam a vossa realização.

Como cultivamos as nossas amizades e como é que os nossos amigos nos vêem? Queremos proteger e cultivar uma amizade sincera com aqueles que nos apoiam na nossa aspiração de viver a Verdade. Apreciamos genuinamente tal companhia. Não queremos que eles saibam o quanto significam para nós apenas quando estivermos em dificuldades.
Boas amizades podem ser cultivadas. Enquanto trazemos à consciência as nossas relações com os outros, lembremo-nos também de considerar o quão amigáveis estamos a ser connosco próprios.

(Verso 104-105) Auto-disciplina é a vitória suprema devendo ser muito mais valorizada que o controle sobre os outros. É uma vitória que nenhum outro ser pode distorcer ou tirar.

Inabalavelmente estabelecidos no centro das nossas vidas, nada nos pode destabilizar ou gerar causas de sofrimento. Isto é destemor. O ensinamento do Buddha aponta para aquilo que obstrui o destemor: a habitual preocupação com nós próprios, a ilusão do desejo. Iluminando com a luz da consciência esta mesma actividade do desejo – sem nunca o julgar ou com ele interferir – aprendemos a observar que cada pequeno momento de auto-domínio leva-nos em direcção à vitória da impessoalidade.

(Verso 145) Aqueles que constroem canais canalizam a corrente da água. Os arqueiros vergam o arco. Carpinteiros dão forma à madeira. O homem virtuoso treina-se a ele próprio.

Os artesãos fazem os seus trabalhos artesanais. O empenho em treinar a natureza desregradado coração é uma arte. Exteriormente podemos nos encontrarem circunstâncias confusas mas interiormente lembramo-nos que cultivar sabedoria é a nossa tarefa principal. Com cuidadosa e constante observação aprendemos a reconhecer um coração desregrado. ‘A vida não deveria ser assim!’ – podemos aprender a não reagir, deixando de criar tais pensamentos.
A nossa exigência fervorosa de que as condições deveriam ser diferentes do que são é simplesmente visto por aquilo que é. Com esta nova maneira de ver deparamo-nos com a crescente ousadia de nos entregarmos a seja o que for que estejamos a fazer neste momento, de todo o coração, na íntegra. Conforme progredimos a tarefa torna-se mais fácil e a gratidão manifesta-se ainda que o trabalho seja um desafio.

(Verso 146) Porquê o riso? Porquê o rejúbilo quando o mundo está em chamas? Visto estardes enublados e na escuridão não deveríeis vós estar a procurar a luz?

Na maior parte das vezes é preciso sermos fustigados pela vida para nos interessarmos pelos ensinamentos espirituais.
Pode ser um alívio descobrir que estamos acompanhados por milhões de outros seres humanos nos nossos esforços para nos libertarmos da escuridão. O sofrimento é a natureza de uma humanidade adormecida. «Não se sintam mal se estiverem a sofrer. Toda a gente sofre», dir-nos-ia Ajahn Chah. Antes da sua iluminação o Buddha também sofreu. A diferença é que os seres Iluminados sabem que o sofrimento não é obrigatório; é apenas uma das opções disponíveis no reino humano.
Existe também a possibilidade de viver na luz do não-sofrimento.

(Verso 169) Vivei a vossa vida escrupulosamente, de acordo com o Caminho – evitai uma vida de distracções. Uma vida correctamente vivida leva ao contentamento, agora e no futuro.

Com um coração preenchido de contentamento como fundação podemos levar a cabo as tarefas com que nos confrontamos. Existem alturas em que temos de ser valentes guerreiros travando batalhas com as forças da ilusão de forma a evitar que estas tomem o controlo dos nossos corações e mentes. Em outras alturas temos de ser como pais, alimentando e tomando conta das qualidades positivas que temos. Agilidade é uma grande virtude espiritual. Reconhecendo a beleza inerente a um coração contente, seremos naturalmente levados na sua direcção. Buscamos distracções somente porque não conhecemos o contentamento. Uma prática correcta liberta energia anteriormente consumida por actos compulsórios. Esta mesma energia pode também manifestar-se como vitalidade e entusiasmo.

(Verso 172) Existem aqueles que despertaram da inconsciência. Eles trazem luz ao mundo tal lua espreitando por entre as nuvens

Na lua cheia do mês do Asalha, há mais de dois mil e quinhentos anos, o Buddha revelou pela primeira vez as Quatro Nobres Verdades. O coração daqueles que escutavam aqueles ensinamentos, foi preenchido pela alegria do perfeito entendimento, fresco e brilhante, como a lua emergindo sobre as nuvens. Achamos que o mundo e o nosso sofrimento são mais substanciais do que na realidade são. Mas se dirigirmos a nossa atenção para as verdadeiras causas do sofrimento – desejo proveniente da ignorância – estas Quatro Nobres Verdades geram uma irradiação que dispersa as nuvens da ilusão e dissolve o mundo do sofrimento. As nossas contemplações despertam-nos da dormência. Assim, passo a passo, contribuímos para o contínuo girar da Roda do Dhamma.

(Verso 178) Melhor que governar o mundo inteiro, melhor que ir para o céu, melhor que sermos ‘Senhores do Universo’, é o compromisso irreversível para com o Caminho.

Liberdade incondicional: a qualidade de não ser dependente de qualquer tipo de condição. Quaisquer que sejam as circunstâncias, felizes ou infelizes, o coração continua calmo, radiante, com visão clara, sensível e forte. É um compromisso que é irreversível, inabalável e real, para além de todas as ilusões obsessivas do ego. Chegar a este nível de decisão requer uma observação constante dos nossos hábitos antigos. Por exemplo: o gostar de controlar tudo, ser viciado nos prazeres efémeros, ser obcecado pelo poder. Trabalhamos com aquilo que temos. Cada vez que nos apercebermos que estamos distraídos devemos procurar reafirmar o nosso compromisso para com o Caminho.

(Verso 227-228) Desde de tempos antigos que se critica aqueles que muito falam, bem como aqueles que pouco falam ou que não falam de todo. Sempre foi assim. Todos são criticados neste mundo.
Nunca houve, não há e nunca haverá ninguém que seja somente apreciado ou somente criticado.

Independentemente daquilo que fazemos e dizemos (ou não) nesta vida, não podemos evitar ser criticados. O Buddha foi acusado e criticado como qualquer outra pessoa. É infrutífero procurar ser sempre apreciado e nunca criticado. A única crítica com a qual temos realmente que nos preocupar é aquela que nos é oferecida pelos sábios. Se alguém que vive impecavelmente nos critica, é apropriado ter-se em atenção ao que esse ser diz. Mas se qualquer crítica, de qualquer pessoa, nos magoa, então temos de olhar mais fundo. Lembrem-se que quando as pessoas criticam os outros, elas arremessam a dor que não conseguem conter. Elas expressam a sua dor externamente, procurando as falhas nos outros. Quando temos a consciência e a capacidade de nos aceitarmos por completo, não nos sentimos compelidos a criticar nem os outros, nem a nós próprios.

(Verso 239) Pouco a pouco, passo a passo, os sábios removem as suas próprias impurezas tal como o ourives as retira do ouro.

Não importa a quantidade de objectos que nos é oferecida, isso nunca nos deixará completamente satisfeitos. Queremos o puro ouro da pura consciênciae para tal precisamos de entrar nos fogos da purificação. Este verso instrui-nos em como tomar atenção à combustão: demasiado calor – estamos a esforçar-nos demasiado; calor insuficiente – estamos fugindo das dificuldades, seguindo as nossas preferências visando o nosso conforto e facilitismo, o que leva a uma falta de evolução na nossa prática. Conforme os anos vão passando apenas vamos ficando mais tolos. Os nossos hábitos são as impurezas e com um gradual e refinado afinamento dos nossos esforços aprendemos a abrir mão (renunciar, desapegar). O objetivo de todo este processo é a realização do estado de consciência luminosa. Teremos então algo inerentemente valioso para partilhar com os outros.

(Verso 268-269) Silêncio não denota profundidade se somos ignorantes e destreinados. Como alguém que segura uma balança, um erudito pesa as coisas, as benéficas e as maléficas, e toma conhecimento de ambos os mundos: interno e externo. Por isso o erudito é chamado de sábio.

O Buddha falou acerca do contentamento e do benefício que advém de viver em locais calmos e harmoniosos. Limitar o estímulo dos sentidos pode ajudar-nos no caminho de Libertação da ignorância. Contudo ele não quis dizer que tomemos uma posição de oposição ao mundo sensorial. Ajahn Chah disse repetidas vezes: «Se não conseguirem praticar na cidade, não conseguirão praticar na floresta». E diria também: «Se não conseguirem praticar quando estão doentes, também não conseguem praticar quando estão de boa saúde». Por outras palavras, tudo é prática, incluído o sentimento de que não conseguimos praticar com ‘isto’. É a sabedoria que reconhece esta verdade

(Verso 290) É a sabedoria que possibilita o abrir mão de uma felicidade menor em nome da procura de uma felicidade maior.

Os filtros das nossas preferências limitam tragicamente a nossa visão. Queremos largar aquilo que nos prende mas muitas vezes a nossa vontade falha. A reflexão sábia serve de suporte à vontade – é a sua melhor amiga. Não devemos agir baseados somente na vontade, sem reflexão. Este verso encoraja-nos a perceber que abandonar o apego a uma felicidade menor pode levar-nos a experienciar uma felicidade mais elevada. Perdidos nos nossos Apegos, vemos apenas aquilo que perdemos quando abrimos mão. Quando refletimos sabiamente vemos aquilo que perdemos mas também vemos aquilo que pretendemos alcançar. A reflexão sábia abre e amplia a nossa visão tornando-nos capazes de caminhar em direção ao objectivo.

(Verso 328) Se encontrares um bom amigo, com integridade e sabedoria, ao ultrapassares todos os obstáculos, desfrutarás alegremente da sua cautelosa companhia.

A mente, assim como a água, toma a forma do recipiente onde se encontra. O Professor está a encorajar-nos a sermos conscientes das companhias que temos. O Discurso das Grandes Bênçãos diz «Evita a companhia dos tolos e associa-te aos sábios». Ao discriminarmos devemos ter o cuidado de não confundir preconceito com discernimento sábio. Discernimento sábio implica compaixão, gentileza e interesse em proteger todos os seres de qualquer perigo.

Post Views: 10

Deixe um comentário Cancelar resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Categorias

  • Cânticos
  • Dana
  • Fotos
  • Fundamentos
  • Galeria
  • História
  • Links
  • Livros
  • Monges
  • Mosteiros
  • News
  • Selos
  • Textos

Pix de Apoio

edmirterra@gmail.com

©2026 Theravada | Powered by Superb Themes