Ajahn Lee Dhammadaro
Estágios da Meditação
Devemos praticar muito o desenvolvimento de sati (atenção plena), porque uma vez que a tenhamos desenvolvido, seremos capazes de controlar todos os vários pensamentos. No início devemos tentar eliminar todos os pensamentos, mas especialmente nossos pensamentos inábeis.
Uma vez que possamos impedir todos pensamentos podemos direcionar a mente para pensar apenas o que é hábil e útil. Portanto primeiro devemos desenvolver sati para poder controlar nossos pensamentos e pará-los completamente. Assim que formos capazes de parar e direcionar nossos pensamentos seremos capazes de pensar da maneira certa.
Precisamos ter samādhi (concentração) antes de podermos desenvolver vipassanā (insight) e ensinar a mente a considerar as três características da existência: impermanência, sofrimento e não-eu.
Se ainda não temos samādhi mas tentamos ver as coisas em termos de impermanência, sofrimento e não-eu, o que acontece é que contemplamos por apenas dois ou três minutos antes que a mente comece a pensar em outras coisas. Depois de um tempo a mente vai querer obter algo ou experimentar algo e assim não obtemos nenhum resultado.
Porém se já tivermos samādhi seremos capazes de pensar continuamente de forma hábil. Se tentarmos ensinar nossa mente mas a mente se recusa a seguir esse caminho, significa que nosso samādhi perdeu sua força, então temos que parar e revigorar samādhi.
No entanto, no início, devemos ter o cuidado de alternar entre o desenvolvimento de sati e samādhi (atenção plena e concentração). Quando nos sentamos em meditação e a mente está calma permanecemos em samādhi. Quando saímos de samādhi voltamos a cultivar sati. Fazemos isso até entrarmos em samādhi com facilidade, rapidez e grande habilidade. É nesse ponto que podemos dizer que temos samādhi. Podemos entrar em samādhi a qualquer hora que quisermos. Sentamos, fechamos os olhos e nos concentramos por apenas alguns segundos, ou apenas alguns minutos, e a mente fica quieta. Só assim podemos dizer que temos samādhi.
Com base em samādhi estável desenvolvemos vipassanā (insight) e pañña (sabedoria), alternando entre desenvolver samādhi e pañña. Após um tempo de contemplação o pensamento pode proliferar e nossa força mental pode se esgotar, então temos que deixar a mente entrar em samādhi e descansar novamente. Uma vez que nossa prática atinge o estágio em que podemos desenvolver pañña, temos que equilibrar cuidadosamente e alternar entre samādhi e vipassanā/pañña.
Quando crianças, primeiro aprendemos a andar antes de correr. Não damos os primeiros passos e depois começamos a correr imediatamente. Se tentarmos correr, cairemos. Primeiro andamos até que sejamos habilidosos nisso, até que nossos pés se tornem fortes. Assim que estiverem fortes podemos começar a correr.
Da mesma forma primeiro desenvolvemos sati e a tornamos contínua. Uma vez que esteja estável e chegue a hora de sentar em meditação, a mente pode se acalmar. Devemos praticar a meditação com frequência até que sejamos especialistas, de modo que sempre que quisermos entrar em samādhi, possamos fazê-lo.
Se formos habilidosos, às vezes nem precisamos sentar, mas podemos concentrar onde quer que estejamos. Não temos que cruzar as pernas e fechar os olhos. Às vezes podemos simplesmente direcionar a mente para parar de pensar e a mente irá parar e se tornar pacífica.
Assim que formos capazes de fazer isso podemos gradualmente sair de samādhi e direcionar a mente para desenvolver vipassanā/pañña. Trabalhando com sabedoria e desenvolvendo o discernimento, seremos capazes de eliminar as kilesas (contaminações), extinguir o descontentamento e ser libertados de todo sofrimento.
Esses são os diferentes estágios da meditação. Sati (atenção plena) deve vir antes de samādhi (concentração). Samādhi vem antes de vipassanā e pañña (insight e sabedoria). Vipassanā e pañña levam à extinção do descontentamento e ao fim de todo dukkha (sofrimento).

