Khantipalo Bhikkhu
Sobre a Prática do Altar. Aquele que deseja cultivar o Caminho em sua própria casa deve, antes de tudo, estabelecer um espaço de clareza e respeito. Um lugar simples, limpo e silencioso, onde o corpo e a mente possam se recolher.
Escolhe-se um ponto da casa onde haja tranquilidade. Ali se coloca o Altar. No centro, uma imagem do Buda. Como lembrança constante do Despertar. Ao olhar para essa imagem, o praticante recorda: “Isso é possível.” Diante da imagem, colocam-se poucos elementos.
O Altar Tradicional efamiliar no oriente possui alguns elementos em comum.
Uma estátua do Buda ao Centro.
Um recipiente com água limpa, diante da estátua.
Um incensario, diante da imagem.
Uma vela, à direita. Flores, à esquerda.
A água deve ser fresca.
Todos os dias, ao iniciar a prática, a água é trocada. A água antiga é devolvida à terra ou a uma planta, com respeito. Em seguida, o recipiente é lavado e preenchido novamente. Esse gesto, simples e silencioso, já é parte da prática.
Enquanto troca a água, o praticante observa: assim como a água parada perde sua pureza, a mente também se turva quando não é renovada pela atenção. Antes de iniciar, o praticante organiza o espaço. Endireita o corpo.
Acalma a respiração.
Junta as mãos em reverência.
Inclina-se.
Se desejar, realiza três prostrações, com consciência.
Então, pode recitar alguns versos. Palavras simples, mas com presença.
Homenageando o Buda. (Bhudan Saranam Gacchami)
Recordando o Dhamma. (Dhamman Saranam Gacchami)
Reconhecendo a Sangha. (Sanghan Saranam Gacchami)
Não é necessário recitar longos textos. O essencial é que as palavras sejam vivas na mente.
Alguns repetem a homenagem tradicional:
Namo tassa bhagavato arahato sammā-sambuddhassa. Três vezes.
Outros apenas silenciam e recordam.
Ambos são corretos, se houver atenção. Após a recitação, o praticante pode renovar internamente seu compromisso:
Evitar o mal.
Cultivar o bem.
Purificar a mente.
Então senta-se em meditação.
Se a mente se agita, observa-se a agitação.
Se se acalma, observa-se a calma.
Assim, dia após dia, a prática se aprofunda.
Não através de esforço tenso, mas através de continuidade. Constância.
Ao final, o praticante pode permanecer alguns instantes em silêncio.
Pode desejar o bem a todos os seres (metta). Uma dedicação de méritos.
Pode simplesmente inclinar a cabeça em gratidão.
Então se levanta. Leva consigo o que foi cultivado.
O Altar recorda a prática.
A verdadeira prática continua nos passos, nas palavras e nas ações ao longo do dia. Mesmo com poucos elementos, a mente é observada, o coração é treinado e a vida é conduzida com atenção, então aquele altar, simples e silencioso, cumpre perfeitamente sua função.
E assim, pouco a pouco, o caminho se estabelece, rumo ao objetivo final que é Nibbana.
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Os livros para serem lidos, a saber:
• As Quatro Nobres Verdades – Ajahn Sumedho
• Atenção Plena – Ajahn Sumedho
Dhammapada
• Sobre o Amor – Ajahn Jayasaro
• Mantendo A Respiração em Mente – Ajahn Lee Dhamadharo

