Samiutta Nikaya – ISSATTHA SUTTA
Em Savatthi. Sentado a um lado, o rei Pasenadi de Kosala disse para o Abençoado:
“Onde, venerável senhor, deve uma oferenda ser dada?”
“Em qualquer lugar em que a mente sinta confiança, grande rei.”
“Mas uma oferenda dada onde, senhor, resulta em grandes frutos?”
“Esta [questão] é uma coisa, grande rei – ‘Onde deve uma oferenda ser dada?’ – enquanto essa – ‘Onde é que uma oferenda dada resulta em grandes frutos’ – é algo totalmente diferente. O que é dado a uma pessoa virtuosa – ao invés de a uma pessoa não virtuosa – resulta em grandes frutos.” Neste caso, grande rei, eu lhe farei uma contra pergunta. Responda como quiser.
“O que você pensa, grande rei? Suponha que você estivesse em guerra e uma batalha fosse iminente. E um jovem khattiya se aproximasse – sem treinamento, sem prática, indisciplinado, temeroso, aterrorizado, covarde, rápido na fuga. Você o aceitaria? Você teria como aproveitar um homem como esse?”
“Não, venerável senhor, eu não o aceitaria. Eu não teria como aproveitar um homem como esse.”
“Então, um jovem brâmane … um jovem comerciante … um jovem trabalhador se aproximasse – sem treinamento, sem prática, indisciplinado, temeroso, aterrorizado, covarde, rápido na fuga. Você o aceitaria? Você teria como aproveitar um homem como esse?
“Não, venerável senhor, eu não o aceitaria. Eu não teria como aproveitar um homem como esse.”
“Agora, o que você pensa, grande rei? Suponha que você estivesse em guerra e uma batalha fosse iminente. Um jovem khattiya se aproximasse – treinado, com prática, disciplinado, destemido, corajoso, pronto para defender seu posto. Você o aceitaria? Você teria como aproveitar um homem como esse?”
“Sim, venerável senhor, eu o aceitaria. Eu teria como aproveitar um homem como esse.”
“Então um jovem brâmane … um jovem comerciante … um jovem trabalhador se aproximasse – treinado, com prática, disciplinado, destemido, corajoso, pronto para defender seu posto. Você o aceitaria? Você teria como aproveitar um homem como esse?”
“Sim, venerável senhor, eu o aceitaria. Eu teria como aproveitar um homem como esse.”
“Da mesma forma, grande rei. Quando alguém abandonou a vida em família e seguiu a vida santa – não importando o seu clã – e ele abandonou cinco fatores e está dotado de cinco fatores, aquilo que lhe é dado resulta em grandes frutos.
” E quais são os cinco fatores que ele abandonou? Ele abandonou o desejo sensual … má vontade … preguiça e torpor … inquietação e ansiedade …e dúvida. Esses são os cinco fatores que ele abandonou. E quais são os cinco fatores dos quais ele está dotado? Ele está dotado do agregado da virtude de alguém que está mais além do treinamento … do agregado da concentração de alguém que está mais além do treinamento … do agregado da sabedoria de alguém que está mais além do treinamento … do agregado da libertação de alguém que está mais além do treinamento … do agregado do conhecimento e visão da libertação de alguém que está mais além do treinamento. Estes são os cinco fatores dos quais ele está dotado.
“Aquilo que é dado para aquele que abandonou cinco fatores e está dotado de cinco fatores resulta em grandes frutos.”
Isso foi o que o Abençoado disse. Dito isso, o Iluminado, o Mestre disse ainda mais:
“Como um rei decidido pela batalha
contrataria um jovem que tivesse habilidades com o arco,
alguém dotado de força e vigor,
mas não o covarde apenas devido ao seu nascimento –
e muito embora ele possa ter um nascimento inferior,
a pessoa com a conduta nobre deve ser honrada,
o sábio no qual estão estabelecidas
as virtudes da paciência e nobreza.
“Ele deve construir retiros agradáveis
e convidar os sábios para ali habitarem;
ele deve construir reservatórios nas florestas
e trilhas no terreno acidentado.
“Com o coração confiante ele deve dar,
para aqueles com o caráter íntegro:
dar comida e bebida e coisas para comer,
roupas para vestir e camas e assentos.
“Pois, tal como uma nuvem trovejante,
enfeitada por raios com cem cristas,
derrama a chuva sobre a terra,
preenchendo a planície e os vales –
Da mesma forma o homem sábio, fiel, estudado,
ao preparar uma refeição, satisfaz com comida e bebida
os mendicantes que vivem de esmolas.
Alegrando-se, ele distribui oferendas, e proclama, ‘Dar, dar.’
“Pois esse é o trovão dele
tal qual o céu quando chove.
Essa chuva de mérito, tão abundante,
derramar-se-á sobre o doador.”

