Ajahn Jayasaro
“Sentir-se impotente e sem opções é deprimente. Mas ter opções demais pode nos paralisar. Quando há muitas alternativas disponíveis, o medo de fazer a escolha errada, ou de não fazer a melhor escolha possível, pode nos levar a não escolher nada.
Há tantos ensinamentos e tradições budistas para escolher hoje em dia. É maravilhoso que, no mundo moderno, possamos ter acesso tão fácil ao Dhamma. Mas esse acesso fácil traz consigo seus próprios perigos. Se podemos ligar ou desligar o Dhamma com um toque na tela, podemos perder a noção de seu valor. Ele pode se tornar apenas mais uma coisa que assistimos hoje, absorvente no momento, mas logo submersa sob todas as outras coisas.
Em vez de aproveitarmos a tecnologia para sermos encorajados, desafiados e fortalecidos em nossa prática, corremos o risco de nos tornarmos meros consumidores do Dhamma, acumuladores de vídeos e links de alta qualidade.
O Dhamma nos desafia a colocar os ensinamentos à prova da experiência, com sinceridade e esforço consistente e paciente. Quaisquer que sejam os meios pelos quais recebemos o Dhamma, não nos esqueçamos de que seu propósito é sempre nos guiar adiante em nosso caminho rumo à verdade.
O Dhamma é simples. O problema é que nossas mentes são distorcidas. O Dhamma nos ensina a ver o cabelo como cabelo, as unhas como unhas, os dentes como dentes e a pele como pele. O que poderia ser mais simples? E, no entanto, o que poderia ser mais difícil?
Sobrepomos as realidades básicas da vida com tantos fatores, como nossos desejos, medos, aversões, expectativas, visões distorcidas e presunção. Para aprender o Dhamma, precisamos desaprender muitos maus hábitos mentais que acumulamos ao longo de muitas vidas.
Precisamos retornar às realidades básicas da nossa vida com interesse e entusiasmo, repetidas vezes. À medida que desfazemos as distorções da nossa mente, o Dhamma se revela. Ele se apresenta como maravilhoso e absolutamente normal ao mesmo tempo. “Ah!”, dizemos, “cabelo é apenas cabelo, unhas são apenas unhas, dentes são apenas dentes e pele é apenas pele. O corpo é apenas o corpo; a mente é apenas a mente.”
Mutualidade
“Ajahn Chah costumava ensinar a seus alunos: ‘Se vocês cuidarem de seus preceitos, seus preceitos cuidarão de vocês.’
O Buda ensinou que, se você cultivar Mettā por todos os seres sencientes, então os seres sencientes sentirão mettā por você. No sutra, diz-se que aquele com mettā bem desenvolvida ‘é amado tanto por humanos quanto por não humanos’.
Em outra ocasião, o Buda disse:
Dhamma have rakkhati dhammacārim
O Dhamma protege aqueles que praticam o Dhamma
Essas são afirmações tão simples e fundamentais. Aprendi-as no início da minha vida monástica e nunca duvidei delas. Quanto mais velho fico, mais profundas elas me parecem. Que elas sejam um refúgio também para todos os meus leitores.”


O Dhamma protege aqueles que praticam o Dhamma. Achei essa frase genial! De fato é uma afirmação simples mas que nos incentiva a prática da meditação e de seguir o caminho búdico.