Abhidhammatta Sangaha
A Tipitaka Pali (ti, “três,” + pitaka, “cestos”), ou Cânone em Pali, é a principal coleção de textos em Pali que constitui a base doutrinária do Budismo Theravada. Juntamente com os antigos comentários, ambos constituem o conjunto completo dos textos clássicos Theravada.
O Cânone em Pali é um extenso conjunto literário: a tradução em inglês soma milhares de páginas. A maioria – porém não a totalidade – do Cânone já foi publicada em inglês ao longo dos anos. Embora somente uma pequena fração desses textos esteja disponível neste site, esta coleção pode ser um excelente lugar para iniciar os seus estudos.
- Vinaya Pitaka
A coleção de textos referente às regras de conduta que regula o dia a dia da Sangha – a comunidade de bhikkhus (monges ordenados) e bhikkhunis (monjas ordenadas). Muito mais do que apenas uma lista de regras, o Vinaya Pitaka também inclui as estórias que estão por trás da origem de cada regra, relatando em detalhe a maneira como o Buda solucionou a questão de como manter a harmonia comunitária em uma ampla e diversa comunidade espiritual. - Sutta Pitaka
A coleção dos discursos que são atribuídos ao Buda e alguns dos seus discípulos mais próximos, contendo todos os ensinamentos centrais do Budismo Theravada. - Abhidhamma Pitaka
A coleção de textos em que os princípios doutrinários apresentados no Sutta Pitaka são retrabalhados e reorganizados em um modelo sistemático que pode ser empregado para investigar a natureza da mente e da matéria.
Abhidhammattha Sangaha, o PRIMEIRO LIVRO do Abhidhamma é dedicado à análise de citta, consciência, a primeira das quatro realidades últimas. A palavra em Pali citta é derivada da raiz citi, que significa cognição, conhecimento. Os comentários definem citta de três formas: como agente, como instrumento e como atividade. Como agente, citta é aquilo que conhece ou percebe um objeto.
Como instrumento, citta é aquilo através do qual os fatores mentais, (cetasikas), que a acompanham conhecem ou percebem um objeto. Como atividade, citta é em si mesma nada mais que o processo de cognição de um objeto. A terceira definição, em relação à pura atividade, é considerada como a mais adequada das três: isto é, citta é fundamentalmente um processo de cognição ou de conhecimento de um objeto.
Existem quatro planos da consciência. Três destes planos são mundanos: a esfera sensual, a esfera da materialidade sutil e a esfera imaterial; o quarto plano é supramundano. A palavra esfera e plano estão conectadas, porém não têm o mesmo significado. As esferas da consciência são categorias para classificar tipos de cittas, os planos de existência são reinos ou mundos nos quais os seres renascem e nos quais vivem. No entanto uma relação clara existe entre as esferas da consciência e os planos de existência: uma esfera da consciência em particular compreende aqueles tipos de consciência que são típicos do plano de existência correspondente e que freqüentam aquele plano, tendendo a surgir ali com mais freqüência.
Contudo, a consciência de uma esfera em particular não está atada ao plano correspondente, e poderá surgir em outros planos de existência também; por exemplo, cittas da esfera da materialidade sutil ou da esfera imaterial podem surgir no plano sensual e cittas da esfera sensual podem surgir nos planos da materialidade sutil ou nos planos imateriais. Mas, apesar disso, a conexão existe no sentido de que a consciência duma esfera é típica do plano que possui o mesmo nome.
Consciência da esfera sensual, (kamavacaracitta): A palavra kama significa ambos, a sensualidade subjetiva, isto é, o desejo por prazeres sensuais, e a sensualidade objetiva, isto é, os cinco objetos sensuais externos – formas visíveis, sons, aromas, sabores e tangíveis. O kamabhumi é o plano da existência sensual que compreende onze reinos – os quatro estados de privação, o reino humano e os seis planos dos paraísos sensuais.
Consciência da esfera da materialidade sutil, (rupavacaracitta): a esfera da materialidade sutil é a consciência que corresponde ao plano de existência da materialidade sutil, (rupabhumi), ou a consciência que está ligada aos estados de absorção meditativa conhecido como rupajjhanas. Os rupajjhanas são assim chamados porque em geral são alcançados através da meditação da concentração num objeto material, (rupa), que pode ser uma kasina ou partes do próprio corpo, (por ex: a respiração). Esse objeto se torna a base sobre a qual os jhanas são desenvolvidos. Os estados de consciência exaltados que são alcançados com base nesses objetos são chamados rupavacaracitta, consciência da esfera da materialidade sutil.
Consciência da esfera imaterial, (arupavacaracitta): a esfera imaterial é a consciência que corresponde ao plano de existência imaterial, (arupabhumi), ou a consciência que está ligada às absorções imateriais – os arupajjhanas. Ao Meditar para alcançar os estados meditativos desprovidos de forma, que se encontram além dos rupajjhanas, é necessário descartar todos os objetos conectados com a forma material e focar apenas em algum objeto não material, tal como o espaço infinito, etc. Os estados de consciência exaltados que são alcançados com base nesses objetos são chamados arupavacaracitta, consciência da esfera imaterial.
Consciência supramundana, (lokuttaracitta): a palavra lokuttara, supramundana, é derivada de loka=mundo, e uttara=além, transcendente. Podem existir três conceitos de “mundo”: o mundo dos seres vivos, o universo físico e o mundo das formações, isto é, a totalidade dos fenômenos condicionados, materiais e mentais.
A noção de mundo relevante neste caso é o mundo das formações, isto é, todos os fenômenos mundanos incluídos como parte dos cinco agregados do apego. Aquilo que transcende o mundo condicionado é o elemento incondicionado, Nibbana. Os tipos de consciência que diretamente alcançam a realização de Nibbana são chamados lokuttaracitta, consciência supramundana. Os outros três tipos são chamados lokiyacitta, consciência mundana.

