Ajahn GOLF (junho 2025)
O cerne do budismo são as Quatro Nobres Verdades, o objetivo do caminho budista é a cessação do descontentamento e da insatisfação, o caminho para esse objetivo é o Caminho Óctuplo, o Caminho Óctuplo começa com a Visão Correta. Isso é bastante claro. A Visão Correta envolve kammas benéficos e prejudiciais. Isso merece uma profunda reflexão. Podemos fazer tudo o que um budista faz, podemos ler sutras e meditar. Podemos realmente trilhar o caminho fazendo essas coisas, mas sem acreditar em karma ou sem encará-lo levianamente?
A Essência Central do Budismo
Visão correta significa ver as coisas como elas realmente são. Deve-se acreditar que existe karma benéfico e prejudicial. Se você praticar ações benéficas, colherá resultados benéficos; se praticar ações prejudiciais, colherá resultados prejudiciais.
Deve-se acreditar na existência da vida presente e de vidas futuras; este é o aspecto mais fundamental da visão correta. Se as pessoas mantiverem essa crença, jamais ousarão cometer atos malignos ou prejudiciais.
Algumas pessoas acreditam que não existe karma benéfico ou prejudicial. Outras acreditam que têm apenas esta única vida e, portanto, ousam fazer o que bem entenderem. Se as pessoas pensam dessa forma, qual seria a proporção entre suas boas e más ações? Qual seria maior?
Para todos nós, quem não tem ganância (lobha)? Quem não tem raiva (dosa)? Os malaios sentem raiva? Nós sentimos raiva? Quem não tem amor? ‘Amor’ tem dois significados: um é desejo (taṇhā) e o outro é benevolência (mettā).
Quem não tem delusão (mōha)? Portanto, todos nós temos amor, ganância, raiva e delusão. Essas quatro coisas são como um fogo dentro de nossas mentes. E os fenômenos externos, como sons, cheiros, sabores e as pessoas ao nosso redor, são como combustível para esse fogo. Eles nos seguem e estão sempre prontos para inflamar, nos fazendo felizes ou infelizes.
Se não formos cuidadosos, no momento em que nossos olhos veem, nossos ouvidos ouvem ou nosso corpo toca em algo, o sofrimento (dukkha) pode surgir a qualquer momento. Se não estivermos atentos ao que é visto, ouvido e sentido, sofreremos.
Portanto, o budismo nos ensina a cuidar de nossa própria mente, fala, pensamentos e ações, a amar e assumir a responsabilidade por nós mesmos. Nesse sentido, somos os criadores de nós mesmos, somos os artífices de nosso próprio destino.
Podemos nos criar da maneira que preferirmos. Portanto, não precisamos depender de outras coisas, outras pessoas ou outras divindades. O que precisamos é de Atenção Plena (sāti) na vida diária, acreditar na lei de causa e efeito (kamma vipāka) e sempre manter a resolução inabalável de agir de forma saudável em nosso corpo, fala e mente.
Se não falarmos bem, não cultivarmos pensamentos virtuosos e não praticarmos boas ações, criaremos karma negativo.
Esta é a essência fundamental da nossa religião. Uma pessoa sem religião é como uma pessoa sem um ninho, perdida em impurezas (kilesās) e desejos intermináveis.
Portanto, Ajahn espera que tomemos o Dhamma como nosso guia na vida. Desta forma, nosso caminho e nossa jornada serão verdadeiramente belos e repletos de felicidade. E devemos aprender a refrear a ganância (lōbha), o ódio (dōsa) e a delusão (mōha).

